Saudação

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quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Cinco princípios bíblicos que orientam ao caminho da benção financeira


O escritor da carta aos Romanos diz que: "o que de Deus se pode conhecer, neles (nos céus e terra, na obra criada) se manifesta. O escritor dos provérbios também aconselhou aos seus leitores a olharem para a natureza, a fim de alcançar sabedoria com respeito à vontade de Deus quando disse: "vai ter com a formiga e olha para os seus caminhos". E quando falamos em observar a obra criada, uma grande verdade que percebemos logo de inicio é que a vida é mantida através da renúncia e entrega de si mesmo por parte dos seres da natureza para que outros continuem sua jornada. Observe que para termos força física para realização das tarefas diárias e continuemos vivos, precisamos nos alimentar regularmente, e não temos alimento, se a semente não for lançada no campo, e depois de crescida e transformada em grãos, frutos e raízes, ser entregue à morte, para que tenhamos vida. A proteína que absorvemos é resultado da morte (entrega de si mesmo) de seres vivos e por ai vai. Vamos então considerar alguns pontos importantes dentro dessa visão.
1 - Não temos como efetuar a manutenção de nossa própria vida sem a oferta de vida do que constitui a natureza ao nosso redor. João 12:24
        Por conta disso, ao aprendermos a discernir a voz de Deus temos que nos conscientizar que ao falar sobre ofertas, estamos falando de um princípio básico da existência instituído pelo próprio Deus. A vida é mantida pela oferta da própria vida, ou seja, a oferta da semente gera sua morte, contudo, sua morte gera a vida da árvore e assim mesmo será com seus frutos. Todo processo existencial se fundamenta na semeadura da semente. Não basta que a semente exista, ela deve ser plantada em terreno fértil para que haja vida e os recursos para sua manutenção. Vejamos o seguinte exemplo:
Elias ao ser enviado para Querite - I Reis 17
·        Teve sua sede saciada pelas águas do ribeiro - que era mantido pelas chuvas as quais Elias bloqueara pela palavra profética. Ou seja, o ribeiro deixou de receber mas ainda assim dava de si ao profeta Elias.
·        Teve sua fome saciada através do trabalho e da oferta do corvo (afinal o que o corvo encontrava seria para si e sua prole, mas por obediência a voz de Deus levava ao profeta), dia após dia.
·        Foi sustentado por uma viúva pobre, ordenada por Deus até o tempo das chuvas.
·        a viúva teve que exercitar fé para fazer e trazer primeiro a ele um bolo pequeno.
·        Por causa de sua fé e obediência, ela e sua família viveram de milagres até que a natureza voltasse a corresponder.

2 - Missão fundamental do homem enquanto durar a terra. Genesis 8:22.
        O próprio Criador determinou, dos 4 princípios dos opostos equivalentes, que três seriam sua responsabilidade e um seria responsabilidade do homem, semear e colher. Se o homem semear, no tempo da colheita colherá, o restante da ordem natural Deus cuida, afinal ele é o Deus que dá semente ao que semeia!
·        Observe que o primeiro assunto tratado por Deus em sua reunião de 40 dias e noites com Moisés na nuvem foi a diretiva para que o povo ofertasse para a construção do tabernáculo - Exodo 25:1 a 9 - O povo deveria semear para colher todos os benefícios que viriam com o tabernáculo.
·        Davi não pode construir o templo por ser homem de sangue, mas ajuntou material em abundância durante seu governo para a construção do mesmo por Salomão, seu filho e sucessor. - I Cronicas 29: 1 a 14
·        Salomão inicia sua gestão oferecendo ao Senhor mil holocaustos - II Cr 1:6
·        Jesus Cristo é a oferta de Deus para a salvação da humanidade - João 3:16
·        Para o culto racional (com inteligencia) é preciso apresentar o corpo como: sacrifício vivo, santo, agradável. Romanos 12:2

3 - A benção é outorgada desde o alto quando priorizamos a vontade de Deus. - Tiago 1:17
 "Assim Salomão acabou a casa do Senhor e a casa do rei; e tudo quanto Salomão intentou fazer na casa do Senhor e na sua casa, prosperamente o efetuou (II Cr 7:11). Salomão priorizou a casa do Senhor, enviou em busca de ouro puríssimo, madeiras excelentes e arregimentou mão de obra especializada, entre outras coisas. o resultado? II Cronicas 9: 13 a 28
o   o homem mais sábio (gestor com excelência) da terra
o   riquezas e honra
o   paz com os povos vizinhos
o   ouro em abundancia, mercadorias e mercadores
o   reis que vinham para ouvir sua sabedoria - 9:23
o   quem apresenta ofertas recebe ofertas - 9:24

4 - O fundamento para a prosperidade em todos os âmbitos. - Pv 11:25
o   a alma generosa engordará e o que regar também será regado. Quando olhamos para a bíblia percebemos que todos os processos de revelação divina começa com algum tipo de oferta.  Até mesmo no ato criacional do homem, a terra deu a si mesmo (o barro), e Deus deu de si mesmo (o folego de vida). Imitadores de Deus devem aprender e praticar esse princípio sem nenhuma reserva. Leia I João 3:17 e Tiago 2:16

5 - o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males - I Timóteo 6:10.
A bíblia diz que não podemos servir a Deus e as riquezas (Mt 6:24), haveremos de amar a um e aborrecer a outro. Não há possibilidade de simultaneidade quando o assunto é onde colocamos nosso coração pois: "onde estiver o vosso tesouro ai estará o vosso coração" (Mt 6:21). Deus, não aceita dividir nosso coração com outro tipo de "deus". O amor ao dinheiro faz o homem se fechar para o verdadeiro Deus e por conseguinte para seus projetos e propósitos e em continuidade tam41bém se fecha para seu semelhante, seu próximo, o próprio ser humano imagem de Deus.
Provérbios 11:24 diz que: "alguns há que espalham e ainda se lhes acrescenta mais, e outros que retém mais do que é justo, mas é para sua perda".

Quando Deus fala através de circunstâncias


Uma das mais importantes lições sobre como discernir a voz de Deus, foi apresentada pelo profeta Ageu. Deus usa um homem que talvez tenha nascido no exílio babilônico, digo talvez, porque a bíblia não apresenta sua ascendência, tribo ou outro detalhe qualquer. Ageu também se torna o primeiro profeta pós exílico e em sua palavra profética ele ministra algo sobre a personalidade de Deus e sua forma de falar através da natureza e de circunstâncias. O pano de fundo dessa revelação é a reconstrução do templo após o retorno do exílio na babilônia, o que acontecia era que o povo estava abandonando a reconstrução do templo por conta da construção de suas próprias casas. Deus exigia que no processo de semeadura se priorizasse sua vontade e seus projetos.
Vamos às revelações contidas no capítulo do livro do referido profeta.

Deus repreende o povo por priorizar suas casas e deixar a casa de Deus inacabada - Ageu 1: 7 a 10.

·        Deus diz duas fala duas vezes para que o povo aplicasse o coração ao próprio caminho.
o   cap 01 : 05
o   cap 01: 07
Na Bíblia, Deus falando duas vezes acerca de um mesmo assunto, indica urgência naquilo que se deve efetuar, algo que não pode ser feito de maneira indulgente, se exige total diligência sob caráter de urgência.

·        O que o povo já estava sentindo e vivendo (vs 6)
o   semeais muito - trabalho excessivo
o   recolheis pouco - resultados muito aquém do esperado
o   comer mas não se fartar - indica não somente a falta de alguns alimentos, mas uma alimentação inadequada para a saúde.
o   vestir mas não aquecer - mais do que a deficiência da indumentária, isso denota uma condição psicossocial, pois o que se vestia não produzia satisfação nos níveis mais fundamentais como a simples sensação de bem estar climático.
o   beber mas não saciar - muito além de sentir sede, isso apresenta um quadro de patologia não somente física mas totalmente espiritual. Beber e continuar sentindo sede indica uma inquietude absurda que o corpo gera para o espírito humano.
o   o que recebe salário - grande quantidade de desemprego e por conseguinte poucos assalariados.
o   recebe em saquitel furado - dificuldade no gerenciamento dos poucos recursos conquistados, os quais se esvaem de maneira inexplicável.

·        Deus começa e explicar o que se passava. 

Tudo aquilo nada mais era do que o próprio Deus falando:

o   alcançastes pouco - vs9
o   o sopro de Deus para espalhou o pouco ajuntado vs9
o   os céus retiveram o orvalho - vs 10
o   a terra retiveram os seus frutos - vs10
o   Deus fez vir a seca sobre: a terra, sobre os montes, sobre o trigo, sobre o mosto e sobre o que a terra produzia.
o   também seca sobre os homens (relacionamentos insatisfatórios), vs 11
o   sobre os animais - vs 11
o   sobre todo o trabalho das mãos - vs 11
·        A recomendação ordenativa de Deus -  depois de aplicar o coração ao próprio caminho:
o   subir o monte - empregar esforço em fazer o que normalmente não se faz.
o   trazer madeira - a madeira do monte era mais resistente e de melhor qualidade.
o   edificar a casa - cumprir o propósito divino em primeiro plano.
·        O resultado seria uma mudança total do quadro penoso em que viviam, isto porque:
o   dela me agradarei - a alegria do Senhor é a vossa força!
o   serei glorificado - haveria sintonia entre o propósito divino e o propósito existencial do povo - serem adoradores em espírito e em verdade.
quando Deus é glorificado e quando Ele se alegra, significa que não há restrições não tratadas em seus adoradores. Garantia de bênçãos especiais em todas as áreas


sexta-feira, 28 de setembro de 2018

O Jovem Samuel e a Voz de Deus


O texto inicia dizendo que o jovem Samuel servia ao Senhor perante Eli, e em seguida acrescenta que: «a palavra do Senhor era de muita valia naqueles dias, não havia visão manifesta. O que se pode depreender disso é que a única referência que o jovem tinha com respeito a servir ao Senhor, depois de sua piedosa mãe, era estar diante da autoridade espiritual constituída naquele tempo, o sacerdote Eli, servindo-o. 
No versículo 7 do mesmo capítulo, a bíblia nos acrescenta duas revelações, sendo que a primeira, diz respeito a Samuel ainda não conhecer ao Senhor, e a segunda diz que a Palavra de Deus não lhe havia sido manifesta. 
Tudo o que ligava Samuel ao espiritual estava relacionado à autoridade investida sobre o velho sacerdote e à sua voz, que diz após dia lhe comunicava ensinamentos sobre o sacerdócio e suas atribuições. 
Aqui notamos o cuidado do escritor do texto sagrado em apresentar a afinidade que o servo Samuel tinha com seu mentor, a ponto de tal afinidade ser o ponto de contato entre Samuel e o espiritual. O leitor pode extrair dessa verdade histórico teológica uma grande lição de cunho ético, absolutamente imprescindível para o exercício do ministério cristão; quem é chamado por Deus para liderar, antes deve aprender a servir, quem foi separado pelo Eterno para estar em posição honrosa, antes precisará honrar, e quem o altíssimo escolhe para se revelar através de sua Palavra, primeiramente deverá aprender a aceitar a voz de quem foi estabelecido como canal de revelação hermenêutica e exegética da vontade divina contida em sua Palavra. Somente depois de ter esses valores arraigados em sua alma e espírito é que finalmente Deus se manifesta para falar diretamente ao jovem Samuel. Mas o teólogo diligente é convidado aqui a considerar mais alguns pontos importantes dentro da revelação bíblica.
1 - Eli foi o primeiro a perceber que o Eterno estava falando, não por ouvir a voz do Senhor, porque naquela altura dos fatos, o Altíssimo já havia decidido se revelar mais profundamente a a alguém capaz de obedecê-lo sem reservas, que não era o caso de Eli! Contudo, apesar do silêncio divino sobre si, viu algo diferente acontecendo na vida do jovem que lhe servia. Deus fala de muitas maneiras e em muitas circunstâncias, o crente atento observará tudo o que acontece ao seu redor, porque mesmo que haja silêncio sobre o interlocutor, o locutor celestial estará buscando se revelar a alguém. Participar do processo, orientando a quem ainda não conhece ao Senhor, redunda em frutos para a eternidade para aqueles que prestam atenção ao que o Pai quer revelar e/ou fazer; não apenas para si próprio, mas para e sobre aqueles  que o cercam. Depois de três vezes, Eli percebeu que o Senhor estava falando novamente! Não com ele diretamente, e sim com o garoto filho de Ana, que nem seu descendente era! mas ele não se negaria a contribuir para o ministério e a chamada de Samuel, esse erro ele não adicionaria à sua lista de falhas.
2 - Antes de prosseguir no mergulho na revelação, Samuel precisou ouvir à orientação vinda do velho sacerdote. Deus se manifestou de forma a conduzir justamente a isso, Samuel precisava ouvir o sacerdote para avançar dentro do plano de Deus. Quantas vezes algo terá que acontecer ou deixar de acontecer em sua vida até que você entenda que Deus está dizendo algo? Há pessoas batendo em portas fechadas e que não se abrirão, simplesmente porque não conseguem entender que uma porta fechada é a voz do Senhor dizendo que o caminho tomado está equivocado. Nesses momentos é melhor parar e perguntar ao Sumo Sacerdote Jesus Cristo qual é o melhor caminho a se tomar.  A questão é : alguém não avança nos propósitos divinos tão somente porque se recusa a ouvir a voz dos sacerdotes estabelecidos por Deus, não somente na igreja em que congrega, mas também em relação àqueles que o Todo Poderoso constituiu em diversas áreas da vida de cada um. Por exemplo, no lar quem exerce essa autoridade sacerdotal é  esposo e pai, mas a rebeldia semeada pelo diabo, tem distorcido as relações familiares assim como as ministeriais, impedindo as pessoas de irem à um nível mais profundo do coração de Deus, isso porque não conseguem ouvir as orientações através de pessoas as quais, por uma razão ou outra (não a de Deus), o interlocutor reprova como orientadores
3 - Para Samuel a voz de Deus lhe pareceu a voz do sacerdote com o qual estava acostumado a servir no santuário. O altíssimo estava trabalhando para levantar um homem segundo o seu coração, entretanto, ao se manifestar, chamou a atenção de seu escolhido diretamente para aquele que Ele anteriormente já havia estabelecido. Eli sendo ainda o sacerdote oficial, é quem representava a autoridade divina, e o Senhor respeita isso a ponto de fazer com que sua voz remetesse o jovem Samuel à Eli, e não a outra direção, não a outra pessoa ou autoridade. Eli ainda era o canal estabelecido por Deus para revelar sua vontade, e mesmo que o sacerdote  não tivesse mais intimidade suficiente, para ouvir a voz de Deus e manifestar a palavra divina ao jovem obreiro,  o Criador ainda o permitiu aconselhar a Samuel, segundo sua própria experiência adquirida em tempos de maior intimidade com o Pai. Foi preciso que Samuel o interpelasse três vezes até que percebesse que o Senhor estava fazendo algo ali, mas, ao perceber, Eli faz uso de sua última oportunidade para ser útil à Deus. O velho sacerdote orienta o jovem escolhido do Senhor a voltar e deitar-se, contudo, agora com uma resposta definida para ser alvo da continuidade da revelação do Pai.
4 - A humildade precede a honra, e a sabedoria livra das armadilhas do orgulho. Quando o estudante da bíblia lê o capítulo 3 e o verso 9, percebe que  há na resposta de Samuel, uma diferença em relação ao conselho de Eli. E qual seria tal diferença? O sacerdote aconselha o jovem obreiro a colocar em sua resposta ao chamado do Senhor, o nome divino, o tetragrama sagrado que contém o nome de Deus, nome impronunciável por conta do extremo cuidado dos judeus em não falar pronunciá-lo em vão. A pronuncia correta se perdeu através dos tempos e somente na eternidade a saberemos finalmente. Samuel poderia ter se ufanado por duas razões: uma que o Senhor o estava chamando para falar-lhe, outra porque o próprio sumo sacerdote o aconselhara a o fazer, contudo, Samuel em sua resposta suprime o nome do Eterno, isso não foi por desobediência ou qualquer resistência à voz de seu líder ministerial, mas simplesmente por conta de sua humildade, a qual o manteve justamente onde e como deveria estar, na presença do Eterno, mas com atitude de total humilhação a ponto de não se considerar digno de pronunciar o seu nome, mesmo sendo o seu servo. Me faz lembrar de João Batista, que na presença de Jesus, assume sua indignidade até para se humilhar diante dele, pois disse: «não sou digno de abaixando-me desatar as sandálias de seus pés. Este tipo de atitude honra e agrada a Deus, e Ele exalta a quem se humilha. Em resposta à atitude de Samuel a bíblia apresenta o texto do versículo 10 onde o Senhor (Iaveh):
a) - Veio - se aproximou do objeto de sua revelação!
b) - ali esteve - estabeleceu relação de proximidade divina com seu servo
c) - chamou como das outras vezes - manteve o padrão pelo qual estava agindo sobre seu servo. Não é Deus quem tem que mudar, somos nós!
d) - e disse a Samuel... - Trouxe a revelação de sua Palavra e de sua vontade ao seu filho, que agora estava apto a ouvi-lo. Samuel estava na presença do Todo Poderoso ao mesmo tempo que a tinha sobre si mesmo.
Deus fala, mas o homem deve estar atento aos caminhos de Deus, às maneiras pelas quais a bíblia apresenta seus métodos divinos, afinal de contas Ele é Deus, Ele é Senhor, e tudo deve ser conforme o modelo que por Ele é determinado.

Paulo e a religiosidade que obscurece o discernimento


O capítulo nove de Atos é iniciado com a apresentação de um homem absolutamente focado em sua missão! A bíblia usa a seguinte frase: «Saulo respirando ainda ameaças e mortes contra os discípulos do Senhor»; o texto deixa bem claro que tudo o que importava para Saulo, tudo o que ocupava os seus pensamentos, era ameaçar e matar os servos de Jesus. Tal missão era tão vital para ele que, sem cumprir tal papel, era como que morrer sem poder respirar. Mas como é que ele chegou até esse ponto? 
A resposta pode parecer simplista e até nada interessante, mas a verdade, é que ele chegou a esse nível de cegueira espiritual por causa de sua própria devoção, por causa de sua religiosidade, por conta dos paradigmas que absorveu desde cedo, sendo educado na lei, aos pés de Gamaliel. A melhor escola, a melhor formação, uma trajetória impecável no que tange ao cuidado e ao zelo com a lei, eis aqui as causas que o cegaram e o conduziram até aquele patamar. Até então Saulo poderia ser enquadrado no texto de João 16:2: «vem mesmo a hora em que qualquer que vos matar cuidará fazer um serviço a Deus». E ele realmente acreditava nisso!
        O segundo ponto interessantíssimo a se observar é que o versículo 1 ainda diz: «dirigiu-se ao sacerdote»; Saulo não era um aventureiro, tomado por desvários teológicos e espiritualistas, nada disso, Paulo era um servo da lei, e por conta disso, se submetia à autoridade sacerdotal e dela desfrutava, a ponto de solicitar cartas que lhe delegassem poder e autoridade para entrar e sair, prender e arrastar presos os servos de Deus. Ele era crente, era submisso à autoridade espiritual, era obediente, por conseguinte, era organizado e também era zeloso em extremo, contudo, assim como diz o texto de Apocalipse 3:17: «como dizes: rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um desgraçado,  miserável, e pobre, e cego, e nú». A Palavra de Deus é tão gloriosamente perfeita e harmoniosa que apresenta alguns conselhos no versículo seguinte do mesmo contexto (vs18), além de comprar ouro provado no fogo para enriquecer, roupas brancas para vestir para que não apareça a vergonha da nudez, a última recomendação é que: unja os olhos com colírio, para que se possa ver!
        Saulo tinha tudo, mas não via, não enxergava, não discernia, por conta de ter sua visão, no que tange ao espiritual, comprometida por sua religiosidade. Todos os códigos de conduta e de pensamento teológico o haviam cegado ao extremo, a ponto de só conseguir ver os seguidores de Jesus como uma seita e não como a Igreja viva de um Cristo vivo. Saulo era apenas um religioso cego.
        O terceiro ponto está no versículo 3 de Atos cap. 9, onde o texto se expressa da seguinte forma: «e indo no caminho...». O homem aqui em questão era perseverante e aproveitava ao máximo todos os recursos dos quais dispunha, ele não parava, estava focado, não tirava folga, não ficava pensando se ia agora ou depois, ele simplesmente focava no objetivo estabelecido e perseverava, indo sempre adiante, contudo, sempre conduzido pelos mesmos valores que o cegaram, o que nos remete ao quarto ponto dessa revelação bíblica:
        Já perto de Damasco subitamente o cercou um resplendor de luz. Me recordo de uma frase que ouvi de meu Pastor em um certo dia em gabinete enquanto avaliávamos algumas situações de obreiros pelo campo: «quando o homem não para, Deus para o homem!» E para continuarmos nessa linha de pensamento é importante citarmos o texto de provérbios 29:1 que diz: «o homem que muitas vezes repreendido endurece a cerviz, será quebrantado de repente sem que haja cura (escapatória). Dois detalhes importantes a se anotar é que no caminho, já perto de cumprir seu objetivo funesto, Saulo subitamente, foi cercado, ou seja, de forma inesperada e sem poder escapar, havia chegado o momento do confrontamento que o iria conduzir à abertura de sua visão espiritual ou à sua morte total.
        A partir daqui vamos pontuar com mais cuidado as coisas que lhe sucederam até que finalmente ele não voltasse, mas mas passasse a realmente ver, enxergar, discernir. O que até então não era capaz de fazer.
1 - Caiu - A palavra grega pipto, traz uma série de significaçõs no mínimo curiosas para a tradução que estamos avaliando, seja por exemplo: «descender de um lugar mais alto para um outro mais baixo, ser empurrado, ser submetido a julgamento e declarado culpado, descender de uma posição ereta para uma de prostração, perder a autoridade, não ter mais força», e assim por diante. No trato de Deus com seu filho, seu vaso escolhido, era preciso que o mesmo descendesse para que então pudesse passar pelos processos de Deus para começar a enxergar.
        Saulo jamais poderia discernir a voz e a presença de Deus na pessoa de Jesus Cristo o filho unigênito do Criador, sem antes descer. O orgulho da religiosidade, a abstração do legalismo tem impedido a muitos de ver a real glória de Deus; o que eles vêem são apenas engodo, produzido por suas próprias crenças, que os afastam dos tesouros contidos na Palavra de Deus, e das experiências reais com o Criador. Sem descer, sem se prostrar, sem diminuir para que Cristo cresça em nós, jamais teremos acesso aos tesouros da verdadeira intimidade com o Pai Celestial.
2 - em terra - Saulo estava sendo levado, pela ação divina, a entrar em contato com sua origem, o pó da terra. Era o mesmo que dizer que era preciso começar tudo novamente, do zero. Muitas vezes precisamos de um empurrãozinho de Deus para cairmos em terra e assim lembrarmos de onde viemos e não nos ufanarmos de um divindade que não nos é inerente. Não somos semi deuses, somos servos e absolutamente falhos, a falsa e destrutiva doutrina da infalibilidade humana não nos cabe em nenhuma instância. Mas continuando o pensamento de que era necessário Saulo ter um restart, veremos que essa linha se solidifica quando vemos que para sair dali, do local da queda, e entrar na cidade, segundo a ordem que lhe fora dada, ele passou a depender de pessoas que o guiassem pelas mãos, pois agora nada enxergava diante de si através de seus olhos naturais. O livro de Provérbios 18:12 acrescenta que: «diante da honra vai a humildade», ou seja, para ser alcançado pela honra de ver a glória de  Deus e ouvir de sua boca o que Ele tem a revelar, primeiro o homem precisa abaixar-se, descer, por a boca no pó, porque quando o mesmo não consegue ver mais nada, ai então é que passará a enxergar o que realmente importa.
3 - ouviu uma voz - Aquela ainda não era «a voz», mas para ele apenas «uma voz», porque apesar de conhecer toda a lei, não tinha ainda o conhecimento da pessoa de seu autor, o qual estava se apresentando diretamente à ele naquele momento. A medida que amadurecemos no nosso relacionamento com Deus, sua voz se tornará cada vez mais nítida e inconfundível.
        Saulo fora chamado duas vezes, o que denota urgência no que viria a ser feito em seguida.
        O Senhor o confronta com uma pergunta totalmente surpreendente: «Por que me persegues» Saulo estava tendo todos os seus paradigmas quebrados, estava sendo desmontanda toda a estrutura de religiosidade que o cegava, para que ele fosse finalmente um instrumento útil nas mãos de Deus através da pessoa do Espírito Santo.
        A sua surpresa e seu desconhecimento, se tornam evidentes em sua reação com outra pergunta: «quem és Senhor?». A resposta de Jesus vem com a poderosa revelação: «eu sou Jesus a quem você persegue», e acrescenta uma frase maravilhosíssima por conta de seu significado: «duro é para ti recalcitrar contra os aguilhões». Aguilhão era uma ponta de ferro colocada na extremidade de uma vara, com a qual se tangia (aplicava-se estocadas) aos bois, para que eles fizessem conforme a vontade daquele que os conduzisse, e assim fossem pelo caminho orientado. Recalcitrar signifca: teimar em desobedecer, insubordinar-se, resistir pela desobediência, etc. O Senhor estava dizendo a Saulo que ele estava dificultando para si mesmo ao resistir abrir a visão espiritual e assim perceber e compreender a revelação de Cristo pela sagrada escritura, porque, como Jesus havia dito durante seu ministério terreno, «examinai as escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam» (João 5:39). Saulo apesar de todo seu contato com os escritos bíblicos, se deixa reger por pensamentos e filosofias humanas, e sendo assim, resistia à revelação da vontade divina contida no texto sagrado, o qual apontava em sua totalidade para a pessoa de Jesus Cristo. Se ele insistisse em desobedecer, em não ver, iria morrer e perder tudo.
4 - tremendo e atônito - Seu emocional denotava que finalmente todas as barreiras intelectuais, teológicas e psicológicas haviam desmoronado, ele estava, assustado, surpreso, com medo, inseguro, cego e dependente do auxílio de outros. Segundo a perspectiva humana, tudo agora o estava conduzindo ao fundo do poço, mas na ótica divina, ele estava sendo tirado de lá. O texto sagrado nos remete às palavras do poeta no Salmo 119:67 «antes de ser afligido andava errado, mas agora guardo a tua palavra», e depois acrescenta no versículo 71: «foi me bom ter sido afligido, para que aprendesse os teus estatutos».
        O estar atônito e tremendo denota que ele finalmente percebia que seus conceitos estavam totalmente equivocados, ele não tinha mais como se apoiar em seus antigos paradigmas, os mesmos já não existiam, e  agora, em total dependência de Deus e das pessoas, lhe restava abandonar tudo que o movia, e que era o seu respirar, e parar, ficar em silêncio enquanto começava a compreender o significado da palavra graça, finalmente!
5 - Levanta-te e entra na cidade -  Novamente a bíblia apresenta o Senhor dizendo a alguém «levanta=te». Saulo havia caído, perdido a visão, perdido os valores nos quais se apoiava, entre outras coisas, mas não podia ficar ali, ele tinha que tomar a iniciativa de se levantar, assumir uma postura e iniciar uma nova caminhada. Depois a ordem era entrar na cidade. Deus  nos levará para dentro de um novo contexto.
        Tudo estava diferente, porque além de não ver, não tinha mais em seu coração a antiga missão, o seu coração e os seus pensamentos não estavam mais povoados com ameaças e mortes contra os discípulos. Na verdade, era um homem que, naquele exato momento, estava sem nenhum propósito, a não ser a obediência ao recém conhecido Senhor Jesus, e tudo que ele tinha que fazer, era entrar na cidade e ficar lá, até que ouvisse do céu qual o próximo passo a ser dado.
        No caminho do aprendizado a como discernir a voz de Deus, a conhecer as manifestações divinas, agora ele tinha que ficar em silêncio, aguardando orientação, dentro da cidade. Obediência, silêncio, capacidade de esperar e ficar na posição definida, é o que mais falta na vida de muitos que se dizem chamados por Deus; e sem seguir as receitas bíblicas não há como aprender a discernir e entender a presença e a vontade do Pai.
6 - Esteve três dias sem ver - O número três na bíblia é altamente expressivo, pois surge em uma infinidade de situações com um gama profundo de significados, mas sem querer teologizar ou divagar filosoficamente, vamos considerar apenas que esse tempo era necessário para que, Paulo incapaz de ver algo diante de seus olhos, olhasse para dentro de si mesmo, revesse todos os seus conceitos e os filtrasse através da Palavra de Deus, enquanto isso acontecia, aquele homem finalmente começava a enxergar não somente a pessoa de Cristo, mas o verdadeiro, completo e poderoso significado da palavra graça.
        Durante esse tempo ele não comeu e não bebeu! O homem associou o tratamento que recebia desde as mãos de Deus, com seu próprio esforço em consagrar-se em oração e jejuns. Não era tempo de lamentos, murmurações ou qualquer outra manifestação ou necessidade humana, era tempo de ficar na presença do Pai Celestial e humilhar-se sob sua potente mão enquanto aguardava sua orientação.
        O versículo 12 já apresenta um Saulo conectado com as coisas do Pai, pois além de estar em atitude de oração, viu em visão um homem de Deus, e até soube o seu nome durante essa experiência, além de saber qual seria o resultado daquela visita que iria acontecer, antecipadamente, através da oração.
        Saulo estava vivendo outra realidade fora do legalismo e da religiosidade, ele estava começando a viver a dinâmica pura de um relacionamento verdadeiro com Deus.
7 - e cairam-lhe dos olhos como que umas escamas - Escamas nos olhos, algo totalmente inusitado e improvável, ainda que não eram escamas no sentido pleno da palavra, pareciam, faziam lembrar, e isso tem um significado muito forte dentro do contexto que estamos estudando.
        No contexto para o qual elas (as escamas) foram projetadas por Deus, são muito úteis. Nos peixes, por exemplo, elas impedem que bactérias, fungos, parasitas e até mesmo objetos que causem ferimentos possam penetrar seus corpos, além de deixar o corpo liso e portanto com menos atrito dentro de seu habitat natural, permitindo deslizar suavemente sob a água, além de até servirem para identificar a idade do peixe com a contagem dos anéis das escamas. Contudo, a fauna aquática tem escamas no corpo, jamais nos olhos, e porque a bíblia fala justamente da semelhança de escamas no que caiu dos olhos de Paulo? 1 - era algo que estava onde jamais poderia estar. 2 - escamas nos olhos impediriam, ou distorceriam a entrada da luz, gerando automaticamente dificuldade de discernimento das imagens captadas pela retina e até a cegueira total.
        O que estava tirando a visão de Paulo não o impedia de contemplar o mundo físico à sua volta, mas de forma totalmente objetivada, o impedia de ver as verdades de Deus no mundo espiritual. Era um obstáculo espiritual que ser formou em seu coração e sua mente por conta de seu zelo religioso! Mas ao ser tocado pela luz de Cristo, sua religiosidade equivocada se materializa em forma de escamas ou algo parecido com isso, que em contato com o poder de Deus, caem de seus olhos.
        Entretanto, para que a obra se completasse, Saulo (Paulo) teria agora que ser abordado segundo os valores do Senhor do reino ao qual ele havia perseguido, ou seja, depois de três dias receberia a oração com imposição de mãos por intercessor enviado por Deus, o obediente Ananias, o qual ao orar, ministrou a palavra de autoridade: «o Senhor me enviou para que tornes a ver e sejas cheio do Espírito Santo». Aquele homem havia sido curado de dentro para fora, primeiro sua visão espiritual e agora sua visão natural; um milagre abrangente acontecia na vida de Saulo, e agora ele estaria pronto para começar sua trajetória no conhecimento dos valores do reino até se tornar o grande apóstolo e pregador do evangelho, afinal desde o encontro com a luz divina, o colírio santo lhe havia sido ministrado e finalmente saberia ver e discernir a voz do Deus que lhe falava. 

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Elias e a manifestação da presença de Deus - I Reis 19


      A bíblia nos conta que Elias estava fugindo de Jezabel, que o havia ameaçado de morte, e por conta disso, depois de uma árdua caminhada sob forte stress por conta de uma angustia desesperadora, a ponto de desejar a morte, e pedir por ela, chega finalmente a Horebe, o monte de Deus, e lá se abriga em uma caverna durante uma noite.
      Ali naquelas condições lhe vem a Palavra de Deus através da tão conhecida pergunta: "o que fazes aqui Elias?" Interessante que o altíssimo não pergunta o que fazes ai e sim o que fazes aqui, indicando que apesar do profeta estar caminhando na direção oposta a vontade do Senhor, o próprio Deus que lhe falava estava ali juntamente com Ele, guardando, sustentando, e sendo um companheiro inseparável do profeta amedrontado. Depois das considerações do profeta, as quais denotavam apenas seu equivocado conhecimento acerca da real situação e da maneira como Deus estava agindo em todas as questões, lhe vem então a ordem: "Sai para fora!". Tal ordem apresenta o desejo de Deus de que o profeta mudasse de atitude e assumisse uma posição condizente com sua chamada, ou seja, fora da caverna, onde o mundo pudesse vê-lo  ouvi-lo, afinal a Palavra de Deus estaria com ele, em sua boca! E boca de profeta não é para ficar confinada dentro de nenhum tipo de caverna! Em continuação, a bíblia apresenta quatro coisas por demais interessantes: o texto sagrado nos diz que "passava o senhor, bem como:" 
1- um grande e forte vento, 2 - um terremoto, 3 - um fogo, mas sempre acrescentando a frase "Deus não estava no..." 
      O primeiro evento mencionado foi o grande e forte vento, que fendia os montes (causava divisão e desordem) e quebrava as pedras (destruía o que é resistente, diminuía o tamanho, separava). O vento era grande por conta de sua abrangência, tocava uma grande área em torno do profeta, impedindo sua fuga para qualquer lugar sem ser afetado diretamente pelas dimensões de tal vento, ao mesmo tempo que aterrorizava, pois até onde a vista do profeta alcançasse, tudo estaria sob seu poder. O mesmo era forte, porque tinha força suficiente para afetar de forma contundente a natureza que estava à vista do profeta. O vento dividia os montes e quebrava as pedras, contudo, Deus não estava no vento. A força da natureza, descrita neste texto bíblico, causava divisão, desordenava, desorganizava o ambiente, e isso realmente, não está de acordo com quem nosso Deus é na vida de seu povo. O Criador não desorganiza, destrói ou diminui quem é seu servo  está sob seus cuidados e dependência. Na verdade, Ele nos ajusta, tira as sobras e acrescenta o que falta, mas sua ação em nós causa ordem e não desordem. 
      O segundo evento foi o terremoto, que traz a ideia de tremor da terra pelo movimento das placas tectônicas, movimentos esses que produzem destruição e desordem em um nível mais profundo que o produzido pelo grande forte vento. Observe que a questão de ser um Deus ordeiro é tão importante dentro da revelação do eterno, que a bíblia não diz que Jesus se manifestou para destruir as obras do diabo, mas sim para desfazê-las. Destruir algo gera entulho, incomodo, desorganização, o que gera muito trabalho para que tudo seja colocado em ordem. Mas quando algo é desfeito, desmontado, cada parte do que é desfeito vai sendo colocado à parte em lugar próprio, para que se construa algo novo e perfeito. Importantíssimo considerar aqui que toda a obra do adversário é feita sobre a matéria prima que na verdade pertence à Deus, afinal, a bíblia afirma que do Senhor é a terra e a sua plenitude! E toda a «obra» do inimigo de Deus consiste em matar, roubar e destruir! o trabalho do arqui rival de Deus é exatamente isso, tocar na obra de Deus para destruir, roubar e matar, mas Jesus quando entra em ação, desfaz a destruição, restitui o que foi roubado, e da vida ao que foi mortificado. 
      O terceiro evento citado diz respeito a um fogo, e nesse fogo, de fato, Deus não poderia estar porque a bíblia deixa bem claro que o fogo de Deus, para se manifestar, tinha que haver ordem, jamais a desordem. As partes do holocausto postos em ordem sobre a lenha sobre o altar, tudo tinha que ser perfeito para que Deus respondesse com fogo, o altar do desafio do próprio Elias contra os profetas de Baal e Asera, tivera que ser reconstruído e organizado para que Deus se manifestasse com fogo. O ambiente em torno do profeta e dentro dele, estava totalmente desorganizado pelo vento, pelo terremoto, e agora havia fogo? Não! Deus não estava naquilo, o altíssimo determina que haja ordem e decência, santidade e justiça segundo a fé para que Ele se manifeste com fogo. 
      O quarto e último evento, diz respeito à manifestação do Deus vivo, que se deu através de uma voz mansa  e delicada, os três primeiros eventos foram aterrorizantemente grandiosos, esplendorosos, cheios de grandeza e totalmente impactantes, mas Deus não estava lá em nenhum deles, porque eles destruíam e desorganizavam, mas agora uma voz delicada e mansa, surge para justamente organizar, não de fora para dentro, mas de dentro para fora, pois aquela voz começou a ajustar as coisas no interior do homem de Deus, para que só depois tudo o mais fosse reorganizado. Senão entendermos que a voz de Deus é suave, mansa, delicada e sempre vai provocar mudanças necessárias primeiramente em nosso interior, jamais estaremos aptos para ir adiante no mergulhar na revelação divina para nós e através de nós, e isso sem nenhuma alarde, barulho ou pirotecnia «spiritual». Quando as mudanças forem reais e de dentro para fora, o poder gerará, vento, terremoto  fogo, mas sempre para construir, organizar e glorificar a Deus gerando muita vida.

JESUS A EXPRESSA IMAGEM DE DEUS


Quem me vê a mima vê o Pai! Tais palavras foram ditas por Jesus enquanto ensinava os seus discípulos acerca de como "ver" a Deus, e para os dias que a Igreja está atravessando, conseguir ver o Pai através de seu Filho unigênito, passou a ser um exercício de muita dificuldade, pois o mundo lançou uma diversidade de recursos tecnológicos que estão sendo usados intensivamente como arma para gerar  distração, pois nos afastam da verdade de Deus de forma absurda.
        A bíblia nos diz em Hebreus 1:3 que Jesus é o resplendor de sua glória e a expressa imagem da pessoa do Pai Celestial, concordando em gênero, número e grau com o que o próprio Jesus havia dito em João 14:9 ao falar que quem o via também via o Pai. É claro que há algumas variantes nesta equação que devemos considerar para entender como ver a Jesus nos nossos dias, uma vez que não temos contato físico com sua natureza humana, a qual esteve entre os homens apenas nos dias de sua encarnação, enquanto cumpria seu ministério terreno. Naqueles dias os discípulos podiam ver a Jesus em tempo real, ouvir diretamente de sua boca seus preciosos ensinamentos, toca-lo com suas mãos de forma literal, vê-lo dormir na popa de uma barco enquanto navegavam pelo mar de Tiberíades, entre tantas outras coisas, mas nós não temos esses privilégios naturais, contudo, fomos privilegiados de outra forma e, justamente a essa devemos nos ater para ver o Pai através de seu Filho.
        O Evangelista João ao escrever seu livro à Igreja da diáspora, usou no capítulo 14 e verso 10 a palavra grega "horao", que entre tantas conotações como: ver com olhos, ver com a mente, perceber, conhecer; traz também o seguinte significado: "tornar conhecido pela experiência, experimentar!" O que Jesus estava ensinando aos discípulos, segundo as palavras escolhidas por João na edição de seu texto, era que aqueles que tivessem experiências relacionais com ele, também as estariam tendo com o próprio Pai, contudo, Jesus chama os discípulos para um patamar muito mais profundo na revelação, pois afinal "quem me vê", significava mais que enxergar, significava e ainda significa, percebê-lo como o Cristo de Deus, a resposta providencial do Pai para a salvação da humanidade. Enxerga-lo não simplesmente como um homem ou personagem histórico, mas como a essência de Deus, o logus divino, o autor e consumador da fé, a porta das ovelhas, o pão vivo, etc etc.
        Mas como podemos "perceber" ao Senhor, como podemos "enxerga-lo?".
1 - Há um sistema revelado na bíblia, pelo qual Deus trabalha a revelação de si mesmo a nós. A esse sistema eu pessoalmente chamo de: "Espelho dinâmico", ou "espelho vivo". Esse pricípio foi tratado pelo apóstolo Paulo em sua segunda carta aos Coríntios no capítulo 3 verso 18 onde o escritor disse o seguinte: "mas todos nós com cara descoberta refletindo como um espelho a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória, na mesma imagem como pelo Espírito Santo".
        Deus revela muito acerca de si mesmo, refletindo em sua criação, sua própria glória. Veja que esse assunto se confirma e se amplia no texto de Romanos 1:19 e nos versículos seguintes, onde o texto sacro apresenta as seguintes palavras: «porquanto o que de Deus se pode conhecer, neles se manifesta (em toda a obra criada, céus e terra) porque Deus lho manifestou. Porque as coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder como a sua divindade, se entendem e claramente se veem pelas coisas que estão criadas, para eles fiquem inescusáveis. Mas o que mais me chama a atenção nesse "sistema divino", é que o objeto que reflete, pouco a pouco se torna aquilo que reflete, por isso, o termo "espelho dinâmico".
        Tal conceito esta contido no versículo de II Corintios que já citamos logo acima e observe que o texto diz: "somos transformados de glória em glória, na mesma imagem". No propósito de Deus, ao refletirmos sua glória, somos paulatinamente transformados na imagem daquele a quem refletimos.
        O texto de Efésios 4:13 acrescenta mais profundidade à esse princípio bíblico quando traz a seguinte revelação: "até que todos cheguemos à unidade da fé,  ao conhecimento do Filho de Deus (saber pleno), a varão perfeito (homem perfeito), à medida da estatura completa de Cristo".  E ainda João 3:2 diz: "ainda não é manifestado o que havemos de ser, todavia, sabemos que quando Ele se manifestar seremos semelhantes a Ele, pois assim como Ele é o veremos".
        É interessante que o apóstolo usasse o termo "ser semelhante" a Ele, uma vez que a bíblia já nos diz que fomos criados à imagem e semelhança de Deus. Como assim seremos semelhantes se já somos semelhança? Simples, ao refletir a imagem de Deus de glória em glória somos recuperados naquilo que perdemos por conta do pecado original e assim cada vez mais nos tornamos imagem perfeita do Criador.
        Eu posso "ver a Deus", quando deixo que sua glória reflita em mim, eu o percebo quando eu mesmo me deixo ser espelho que reflita sua imagem, através dos valores do reino revelados na Palavra de Deus! E se continuarmos dentro deste conceito, veremos a Deus ao sermos capazes de discernir o que as pessoas ao nosso redor estão refletindo de Deus na qualidade de refletores de sua glória.
2 - Sendo boca de Deus. Jeremias 15:19 (b) diz: "Se apartares o precioso do vil, serás como a minha boca". O Conceito aqui diz respeito não somente a efetuar separação, considerando conceitos sociais morais e éticos, no que tange a fazer escolhas diárias entre o certo e o errado, mas efetivamente, separar a si mesmo do pecado, ou seja, levar o processo de santificação até o ápice bíblico, jamais fora dele, abordando o homem de dentro para fora, purificando o copo, primeiramente em seu interior e então atingir sua plenitude, espírito, alma e corpo, conforme diz o texto de I Tess. 5:23. "que o próprio Deus da paz vos santifique integralmente. Que todo o vosso espírito, alma e corpo sejam mantidos irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo".
        Alguém que consegue compreender o princípio bíblico da santificação e seus fundamentos, invariavelmente se torna como a boca de Deus. Isso não quer dizer que a pessoa se torna um ministro afamado, aclamado pelas mídias sociais, jamais seria isso a se registrar aqui porque não é essa a verdade de Deus que a bíblia nos apresenta, ainda que a consequência em ser usado por Deus seja a certa notoriedade em certos aspectos, afinal, a luz deve estar em cima, no velador, e não debaixo do alqueire. Mas ser boca de Deus é ser instrumento da revelação de sua plena vontade, e isso não tem nada a ver com ser alguém possuidor de fama, mas sim ser alguém santificado, obediente e sensível ao coração de Deus.
3 - Ter Cristo formado em nós. Mateus 16.
        Jesus fez uma pergunta implícita em outra questão ouvida pelos discípulos:
3.1 - "Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?" Na verdade o que estava sendo perguntado aqui era: Até que ponto o ministério de vocês tem formando na mente e no coração das pessoas a verdade do que quero revelar sobre a vontade de Deus? Até que ponto vossa pregação pode formar a minha identidade dentro deles? - Gálatas 4:19 (leia)
3.2 - E vós quem dizeis que eu sou? Até que ponto Jesus estaria formado dentro na mente, coração e intelecto dos discípulos? Os que ensinavam acerca de Jesus, conheciam-no por completo?
3.3 - E nós? até que ponto Cristo está de fato formado em nós?
3.4 - Bem aventurados (makarios = feliz) - Antes veio o não (não foi a carne) e depois vem o sim (foi Deus!). Você está acima da normalidade pois a carne e suas convicções foram suplantadas pela ação do próprio Deus em seu intelecto.
3.5 - Não foi a carne e o sangue - «temos, porém, esse tesouro em vasos de barro, para demonstrar que este poder que a tudo excede provém de Deus e não de nós mesmos» II Coríntios 4:7
3.6 - A revelação (apokalupto - revelar o que estava escondido ou oculto) expressa na resposta de Pedro vinha diretamente de Deus (não é resultado de nossa própria vontade ou intelectualidade.
3.7 - Ainda que tenhamos a revelação divina, a obra é construída sobre ele e não sobre nós!
3.8 - A igreja deve marchar contra o inferno e não o inverso disso. vs 18.
3.9 - Chaves (plural) - para ligar e desligar vs 19. «nos céus»
3.10 - Tempo de reter a revelação pessoal para que o modo de revelação universal continuasse em curso. O povo deveria concluir a respeito de Cristo pela pregação e pelas obras que testificava em Jesus.
3.11 - A revelação individual nos remete a patamares mais profundos do plano de Deus. Isso nos traz responsabilidades que as vezes não compreendemos vs21.

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Balaão e a razão para a falta de visão espiritual


           No afã de adquirir alguma vantagem sobre o ardente desejo de Balaque em amaldiçoar o povo de Deus, lá vai pelo seu caminho, o ambicioso "profeta", montado sobre sua jumentinha, a qual o servia desde há muito tempo. Balaão, cujo nome significa "não meu povo", busca, segundo diz o texto sagrado, o contato com Deus (Elohim) através de agouros (24:1) nachash (hb), cujo significado em hebraico é "adivinhação, encantamento". Isso por si só já revela o grau de pouca intimidade que o referido "profeta" tinha com o Deus verdadeiro, o Deus de Israel. Apesar do texto bíblico usar várias vezes o termo Elohim para apresentar os contatos de Balaão com o sobrenatural, o leitor é aconselhado a manter certas reservas em crer que se tratava do verdadeiro Deus, uma vez que em duas de suas manifestações, aquele que falou com Balaão se apresentou sem um dos atributos divinos que é a onisciência, conforme os textos do capítulo 22 e os versos 9 e 20; além do que, o verdadeiro Deus jamais se revelou por meio de agouros. Entretanto, o que realmente interessa ao leitor neste estudo, é analisar o que acontece depois de Balaão finalmente sair para o encontro com Balaque. A bíblia nos diz que a ira de Elohim se acendeu contra o profeta porquanto ele se ia, e o Anjo do Senhor (aqui aparece o tetragrama sagrado), se colocou em seu caminho para ser seu adversário. O "profeta" ia caminhando montado em sua jumenta, tendo a companhia de dois de seus auxiliares. O que vem a seguir é que é impactante, pois aquele que se dizia profeta de Deus, não foi capaz de discernir a presença do anjo do Senhor em seu caminho, enquanto que um animal irracional percebeu a presença do anjo sem nenhuma dificuldade.
        O que estava acontecendo com aquele homem naquele momento? Como ele não podia ver o que um animal via e respeitava? A resposta está no texto de Lucas 12:34 "onde estiver o vosso tesouro, ai estará o vosso coração".  Balaão não tinha seu coração na real vontade de Deus, mas sim nas possibilidades de êxito pessoal e financeiro, além do status quo oferecidos por Balaque. A segunda carta de Pedro no capítulo dois e verso quinze diz que o seu caminho foi o de "amar o prêmio da injustiça", e sendo assim, ele jamais poderia visualizar o mundo espiritual, pois isso se reserva tão somente aos que tem o seu tesouro no céu, junto ao trono da graça e da misericórdia.
       O anjo estava no caminho pelo qual transitavam, e tinha em sua mão uma espada desembainhada, sinal de juízo iminente, contudo, Balaão não o percebia. A jumentinha, ao contrário de seu dono, viu o que se passava e: 
1) - se desviou de seu caminho e foi-se pelo campo (vs 23). A lição que se revela neste texto é de que ainda havia espaço para Balaão fazer uma mudança de planos e voltar pelo seu caminho. Ele não percebia que seu objetivo o estava direcionando a ir de encontro à espada do juízo, e seu animal, tendo mais discernimento do que ele próprio, aproveita o espaço em torno de si para tentar uma saída mais segura para seu dono. Deus sempre nos dá a oportunidade de fazermos as conversões necessárias. contudo, quanto mais falhamos, tanto mais o caminho diante de nós se estreita. Balaão, cego por sua cobiça, não aproveitou essa oportunidade e não voltou, nem abriu mão de seus pensamentos  depois de espancar a jumentinha, continuava indo pelo mesmo caminho de sua ambição. O leitor deve observar que no próximo nível, o caminho estaria bem mais apertado e o juízo muito mais evidente; não conhecer a voz de Deus estava levando o homem para um destino de destruição, e isso porque: 
2) - O anjo do Senhor se colocou em uma vereda de vinhas,  havendo uma parede de ambos os lados,  e o animal ao ver o anjo se encosta apertando-se em uma das paredes, comprimindo contra ela o pé de seu dono, que a espanca mais uma vez. O espaço para reagir e voltar havia diminuído drasticamente e ainda havia mais uma consequência, ter o pé comprimido contra a parede de vinhas (uvas), o que se pode interpretar de forma alegórica como que Deus dizendo, que o caminho do profeta (seu pé), não prosperaria contra seu povo (a vinha) Israel. Muito pelo contrário isso lhe traria prejuízo certo, como dor houve quando seu pé foi apertado contra a parede de vinhas. Mais uma vez tudo o que aconteceu na sequencia foi novamente Balaão espancar seu pobre e fiel animal. Jesus disse a Paulo no caminho de Damasco: "duro é para ti recalcitrar contras os aguilhões", e é justamente nisso que muitos membros do corpo de Cristo tem falhado, pois ao não perceberem que estão em erro, sentem diversos tipos de apertos, os quais literalmente param suas vidas, suas marchas, e não poucas vezes até mesmo a fé de tais pessoas, mas mesmo assim resistem às estocadas dos aguilhões das provações e insistem em continuar em erro. É preciso entender que quando há muita ação do aguilhão da correção divina é porque estamos insistindo em algum tipo de erro que nos divide contra Deus.
3) - O anjo do Senhor passou mais adiante. Atitude resultante da misericórdia de Deus, que ainda que estivesse encurralando o «profeta», ainda assim lhe dava mais espaço para caminhar para abrir sua visão e entendesse a real vontade do Altíssimo.
4) - e se colocou num lugar estreito (vs16), onde não havia caminho para se desviar nem para a direita nem para a esquerda. Havia finalmente chegado a hora do confrontamento, agora não haveria mais nenhum espaço, nem tempo, nem modo para tentar alguma reação, ou ele abria os olhos e finalmente viesse a ver o que até então seus olhos não puderam ver, ou sem dúvida alguma, morreria sob a ira de Deus, perdendo tudo, absolutamente tudo!
        O bom estudante da Palavra de Deus notará que nesse último estágio, a jumenta deita-se sob Balaão: tudo estava parado, não havia como ir ou vir, não havia como reagir nem correr para a direita ou esquerda, então era hora do homem parar e clamar por discernimento, mas novamente ele prefere a violência ferindo a jumenta.
5) - Então o Senhor, abriu a boca da jumenta! Deus sempre exerce sua misericórdia a ponto de efetuar algo mais, para que um homem possa finalmente percebê-lo! Deus voz a um animal irracional para que um homem cego e surdo espiritualmente fosse por tal animal corrigido. Mas antes ainda de ter seus olhos abertos, o homem gasta parte de seu tempo discutindo com um animal, como é possível que alguém que se diz espiritual possa ser tão cego, surdo e insensato assim, no que tange às coisas de Deus? Contudo, a grande verdade é que muitos, dentro dos nossos templos, estão nas mesmas condições. Alguns estão espalhados pelo caminho do campo, outros já estão tendo seus pés comprimidos contra a parede, e outros já sentem tudo parado e sem nenhuma direção possível! Já não é hora de alguém abrir o entendimento, se deixar discernir e então perceber que Deus está querendo se revelar?
6) - Então o Senhor abriu os olhos a Balaão, e ele viu o anjo do Senhor! Que longo caminho até finalmente enxergar o mundo espiritual! Não seria mais fácil parar e se prostrar diante do altíssimo e perguntar-lhe até obter resposta de qual seria sua vontade?  Imagine, o estudante da Bíblia, a surpresa terrível que aquele homem teve ao contemplar o anjo com uma espada desembainhada em sua mão! Que tipo de sensação aterrorizante não foi para ele, poder contemplar a iminência de sua própria destruição? Tudo por conta de sua ambição, e conduta absolutamente inadequada a alguém que falava usando o nome do Senhor.
7) - As cinco verdades na hora do confrontamento. Primeira verdade- agora face a face com o anjo do Senhor, o «profeta» é interpelado com uma pergunta direta: "Por que já três vezes espancaste a tua jumenta?" Tudo que fizermos, fundamentados na falta de fé, na falta de visão e discernimento do Altíssimo nos será cobrado. Nada há que seja deixado para trás sem que se preste contas, e atitudes geradas por falta de fé, gerarão consequências inevitáveis. Diante de Deus, tudo será passado a limpo. Segunda verdade - "saí para ser teu adversário" - uma sentença dolorosa para alguém que se proclamava profeta de Deus, ter a inimizade do próprio Senhor, ter a oposição do Criador de todas as coisas, algo totalmente inoportuno. A palavra hebraica é satan (alguém que se opõe, adversário). Aqui não está em questão o nome próprio. Deus não disse que era ou seria como (satanaz - a pessoa) mas seria exatamente o que o termo vernacular significava, adversário.
        Bom é que quem esteja de pé olhe para que não caia! Em todo tempo vigilância! Pois quando o homem não para, Deus para o homem! Que a visão da igreja esteja sarada, os olhos ungidos, a mente sã, o coração puro e as mãos santas. Terceira verdade - "porquanto o teu caminho é perverso diante de mim" -  A palavra hebraica aqui é yarat (precipitar, ser precipitado, agir irrefletidamente), aqui esta a causa da sentença que apontava a oposição de Deus ao homem; seu caminho baseado em pensamentos, conclusões e atitudes precipitadas. 
        Muitas coisas podem levar o homem à precipitação, como por exemplo: medo, paixões carnais, ressentimentos, falta de capacidade em perdoar, entre tantos outros motivos, mas nada é mais forte em fazer o homem se precipitar em seus caminhos que o orgulho e a ambição, as quais, andam de mãos dadas. O orgulho fez com que o próprio Querubim ungido tentasse subir acima das mais altas nuvens e ser semelhante ao Altíssimo. O resultado foi queda, pois a altivez de espírito precede a queda, como diz o livro dos provérbios. Quarta verdade - uma analogia humilhante: a jumenta viu, mas o homem não! ela se desviou do caminho da destruição, o «profeta» não! O animal seria deixado com vida, o seu dono não! Que coisa horrível! alguém ser colocado por um ser divino,  abaixo da linha do racional, por ser pior que uma jumenta, no sentido de discernir as coisas espirituais! Misericórdia!!! Mas é justamente o que alguns tem sido, tão turrões e firmados em suas próprias convicções que não aceitam ouvir a voz de Deus sob nenhuma circunstância; a menos que o altíssimo fale segundo os moldes que tais pessoas querem determinar como sendo o correto. Contudo, Deus é soberano e Ele fala, faz e conduz conforme Ele deseja. Ele é o Senhor e só o Senhor é Deus! Quinta verdade - Pequei porque não soube...Depois de assumir a sua total inapetência espiritual, ele ouve a palavra final de orientação, e era isso ou a morte certa! «vai com eles, mas só fale a palavra que eu te falar». Balaão ainda continuava o mesmo, tendo toda sua ambição à flor da pele, mas agora sabendo claramente com quem lidava, tinha uma ordem a seguir, independentemente de seus sentimentos, convicções e ambições pessoais. Ou obedecia, ou já sabia, iria morrer.
      Vemos que ele obedeceu até certo ponto, mas por amar o prêmio da injustiça, ainda que não amaldiçoasse o povo de Deus, instruiu Balaque a como agir para que os filhos de Deus atraíssem por seus próprios atos, uma terrível maldição por conta da ira de Deus.
        Seu fim foi ser morto e perder tudo, porque mesmo tendo visto ao anjo do Senhor e vivido uma experiência espiritual fortíssima, não deixou que a voz de Deus o mudasse de dentro para fora por completo.

terça-feira, 20 de junho de 2017

A FÉ NÃO ENTREGA O QUE NÃO TEM CUSTO. I Cr 21



No primeiro livro das Crônicas dos Reis de Israel no capítulo 21, há o relato de um momento peculiar na vida do Rei Davi. Sem ter sido orientado por Deus e sim por sua própria vaidade, o monarca decide realizar uma contagem do povo. Mesmo com a discordância de alguns de seus súditos mais próximos o rei vai adiante em sua empreitada e assim que Joabe lhe traz os números, pelos quais tanto ansiou a ponto de sair do campo da dependência de Deus, veio a repreensão através do profeta Gade. Aqui já podermos absorver uma lição importante: As vezes mesmo tendo o controle absoluto de tudo, Deus nos permite andar segundo o caminho do nosso coração até alcançarmos o castigo. "o teu caminho e as tuas obras te trouxeram estas coisas" Jeremias 4:18, Romanos 2:5). Que nosso corações estejam em sintonia com o coração de Deus em todo tempo. Continuando nossas considerações vemos que o  Eterno dá ao rei a possibilidade de escolher entre três castigos: Três anos de fome, Três meses fugindo sendo consumido diante dos inimigos e sucumbindo por suas espadas ou três dias sob a espada do Senhor. Davi responde de forma enigmática e aparentemente não muito clara sobre as três opções recebidas, mas com sabedoria ele diz: Caia eu nas mãos do Senhor pois muitas são as suas misericórdias, mas que eu não caia nas mãos dos homens. O resultado disso é que 70 mil pessoas morreram em Israel até que o anjo do Senhor chegou sobre Jerusalém e Deus então o manda parar dizendo: Basta, retira a tua mão. O texto sagrado nos conta que Davi teve a aterradora visão, em claro, do anjo do Senhor parado sobre a eira de Ornã, com a espada desembainhada e mão estendida, aguardando apenas mais uma ordem de Deus, e por conta disso se angustia e se humilha se vestindo de pano de saco e reconhece diante de Deus que o povo não merecia sofrer por conta do seu próprio erro. Neste instante algo glorioso acontece, a bíblia nos mostra o anjo do Senhor dando uma orientação de como resolver a situação e  impedir que o castigo prevalecesse.  Consideremos alguns pontos:
1 - O anjo não falou diretamente à Davi mas ao profeta Gade. A bíblia diz que Deus não fará nada sem antes revelar o seu segredo aos seus servos os profetas (Amós 3:7): Aqui vemos a importância que o próprio Deus dá à suas instituições, Davi via o anjo, mas a palavra de orientação não chegou até ele sem antes passar pelo profeta de Deus. O que colhemos ou deixamos de colher tem diretamente tudo a ver com a maneira com que olhamos para os ministros de Deus e a consideração que lhes manifestamos dando ou não crédito à palavra de Deus em sua boca. "Que os homens nos considerem como ministros de Cristo", já dizia Paulo aos Coríntios em sua primeira carta no capitulo 4:1. Davi tinha algo a fazer, mas a orientação viria pela boca do profeta. E no seu primeiro passo de fé rumo à sua benção tudo que Davi precisava era ouvir a Palavra de Deus na voz do ungido do Senhor.

2 - Subir (ialah) - "aparecer" - Considerando que a bíblia diz em Isaias 59:2 que nossas transgressões causam divisão entre nós e o nosso Deus, e que nossos pecados encobrem o seu rosto de nós, para que não nos ouça, o profeta ao dizer a Davi para "subir" estava dizendo: apareça diante de Deus, saia de traz do seu pecado, o qual lhe encobre diante do rosto de Deus, apresente-se, afinal ainda que contrito e arrependido Davi não poderia permanecer na obscuridade. O pecado se alimenta da obscuridade, era necessário que o monarca "subisse", ou seja, aparecesse diante de Deus completamente, sem nenhuma reserva. O ofertar é uma dádiva gloriosa, mas não é coisa comum e desprovida de ordem como muita gente pensa.

3 - Levantar um altar. - Não era simplesmente chegar e ofertar, antes tinha que preparar todo o ambiente do milagre, e a ordem era levantar  um altar ao Senhor. Construir um lugar onde apresentar a oferta, organizar o sacrifício. O homem ao sair da obscuridade do seu pecado e apresentar-se diante de Deus, começa paulatinamente a construir um altar em si próprio, onde apresentará a si próprio através de seu corpo como sacrifício vivo, santo e agradável, sendo esse então o seu culto racional, ou com inteligência. Aliás, diga-se de passagem, só por considerarmos a palavra racional em romanos 12:1, que no original é lógikos, "que pertence à razão, lógico, que segue a razão" , temos que concluir que um culto desprovido de lógica espiritual e teológica jamais será um culto realmente inteligente, e portanto, não será aceitável diante de Deus. Temos que antes ouvir, depois subir e então levantar o altar e só depois sacrificar.

4 - Na eira de Ornã o Jebuseu.  Deus tem uma razão específica em tudo que faz, Deus tem um segredo, o qual será revelado no tempo, no local e na maneira correta. O anjo havia parado sob a ordem divina justamente sobre a eira, um campo de chão batido, que normalmente era usado para a debulha ou padeja dos cereais, ou seja, local onde os cereais eram lançados para cima com uma pá ou peneira, e por conta do vento a palha seria soprada para longe enquanto os grãos cairiam de volta no recipiente original, mas agora sem nenhuma palha. Davi estava sendo padejado, a palha da arrogância e ostentação que o fizeram contar o povo sem a ordem de Deus estava finalmente sendo soprada para longe, dando lugar ao velho adorador de coração segundo o coração de Deus. Mas o segredo principal é que futuramente neste mesmo local seria construído por Salomão o famoso templo do Deus de Israel, uma das maravilhas da antiguidade e até hoje uma das grandes maravilhas históricas de todos os tempos. Esse campo vazio e cheio de palha espalhada em que somos convocados a construir o caminho do sacrifício perfeito ao Senhor nosso Deus, local em que estamos ainda em contato com as dores das percas e fracassos, e sob a visão aterradora de iminente destruição (o anjo estava com a espada desembainhada), Ornã e seus quatro filhos ao verem o anjo se esconderam, Davi também não deveria estar se sentindo muito a vontade principalmente sabendo a razão pela qual o anjo estava ali (21:30) mas, no lugar onde Deus tem um segredo, vale a pena permanecer!  

5 - Dá-me esse lugar da eira, da-me por seu valor! Ao solicitar a compra do local, Ornã imediatamente oferece ao Rei a possibilidade de posse gratuita de sua propriedade, contudo, Davi sabendo da importância do que estava acontecendo ali naquele momento, ainda que não soubesse de todo o segredo de Deus com aquele local para o futuro, pronuncia as seguintes palavras: "não tomarei o que é teu para o Senhor, para que não ofereça holocausto sem custo".  No ato do ofertar quando não há custo não há a necessidade da fé, e sem fé é impossível agradar a Deus! (Hb11:6) A fé nos leva a dizer não a nós mesmos para dizer sim para a vontade divina, e não é justamente esse o significado de negar a si mesmo? Lembremo-nos do que Jesus disse: "quem quiser vir após mim negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me". (Mateus 16:24). Para o exercício da fé, no campo da semeadura sempre haverá o custo da renúncia de si mesmo, no mais absoluto sentido da expressão, além de conceitos e paradigmas.

6 - Davi edificou e sacrificou - Logo após fechar o negócio por 600 ciclos de ouro, Davi cumpre na integra a orientação divina manifesta a ele pelo profeta; constrói o altar e depois oferece sobre ele holocaustos e sacrifícios pacíficos e invoca ao Senhor.
       
7 - E o senhor ordenou ao anjo e ele meteu a sua espada na bainha. Até então havia a iminência do reinício da mortandade, mas após o ofertar, após entregar a Deus um sacrifício de fé e fidelidade, o anjo não tem outra coisa a fazer senão guardar a espada na bainha em obediência à ordem do Todo Poderoso. O castigo cessou, não há mais "palha no trigo", o homem foi aperfeiçoado sob o plano divino que foi desenvolvido e cumprido item a item, agora sim depois do aprendizado e do ato racional do ofertar, Davi estava pronto a ser removido do tempo de castigo e dores atrozes para:
a -  um tempo de nova visão (construção do templo para adoração)
b -  para o trabalho em favor de sua visão (começou os preparativos para a construção) I Cronicas22. Visão implica em ação, afinal ter uma visão e não ter iniciativa é simplesmente não ter nada.