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sábado, 29 de setembro de 2012

Autoridade Espiritual. CONCLUSÃO


Estamos vivendo os últimos dias da Igreja na terra, e neste momento em que mais deveríamos estar produzindo, tenho visto vidas que foram agraciadas por Deus com talentos esepciais, e que bem poderiam fazer a diferença de forma contundente para o crescimento do reino de Deus, contudo, pouco ou nada estão produzindo. Por que isso acontece? Como procurei mostrar desde o inicio, há princípios imutáveis estabelecidos por Deus, e ou aprendemos a viver o que pregamos, colocando em prática os ensinos bíblicos, ou continuaremos a lutar e insistir sem muito alcançar. Nestes dias de apostasia, modernismos, rebeliões e coisas do tipo, não é de bom tom removermos os limites antigos, mas sim viver a palavra do Senhor Deus com toda intensidade. Buscar a Deus de todo coração, como disse Jeremias, implica basicamente e empreender o esforço necessário para OBEDECE-LO, atentando para sua vontade revelada em sua palavra. É tempo de renunciarmos ao orgulho e nos submetermos á vontade de Deus. Mas não honraremos ao Senhor se não honrarmos aos que ele honra.











Este estudo bíblico é material da Apostila sobre Autoridade Espiritual escrita pelo Pastor Marcos Pires em Novembro de 2011, para a realização da Escola Biblica de Obreiros e Membros da IEAD-Madureira em Sorocaba/SP.


Autoridade Espiritual. Parte 6


6) – CARACTERISTICAS DO QUE RESISTE A AUTORIDADE. (Numeros 16)   (Gr.antitassõ – colocar-se contra).
Lendo o relato bíblico no capitulo dezesseis de Números, podemos tirar importantes lições para identificarmos os princípios da resistência contra a autoridade espiritual nos outros ou em nós mesmos. Observe com muita atenção o que o texto acima citado nos revela.
1 – Demonstram zelo e preocupação com as necessidades da igreja, além de possuírem discurso rebuscado e aparentemente fundamentado(Nm 16: 3) . Quando Coré, Datã e Abirão se manifestam contra a liderança de Moisés e Arão, eles não chegaram com um discurso violento ou atitudes violentas, mas chegaram “valorizando” a congregação, elogiando o povo, inflamando o ego dos símplices, dizendo que Deus estava no meio deles. E a partir desse ponto lançam a pergunta: “por que vos elevais sobre a congregação do Senhor?” Vemos aqui a estratégia maligna de conquistar as pessoas colocando em suas mentes uma interpretação equivocada ou incompleta dos propósitos de Deus, fazendo assim com que o ego humano se manifeste contra a autoridade espiritual. Caso semelhante se verifica em II Samuel 15: 1 a 6, onde o texto bíblico termina o relato dizendo que: “dessa forma Absalão furtava o coração dos homens de Israel”. Que nosso povo em nossos dias aprenda a vigiar contra os que furtam o coração mostrando aparente preocupação com nossas necessidades e carências, e apresentando soluções que não podem levar a cabo porque não foram dotados de autoridade espiritual sobre nós. Concluindo o pensamento sobre o caso Coré, consideremos que: É bem verdade que Deus tendo escolhido Israel para seu povo o santificara através desse ato. Entretanto, ainda que santos para Deus, não seriam exclusos dos princípios imutáveis de Deus e sendo assim, o que eles eram por vontade de Deus não os eximia de estar sob a autoridade constituída por Deus.
2 - São “crentes” e tem procedência(Nm 16:1), o que aumenta sua credibilidade e acessibilidade entre o povo. Os homens que estavam se levantando não eram estranhos ou estrangeiros. Coré era descendente de Levi e sendo de linhagem levitica tinha com sua família atribuições no serviço do tabernáculo, o que o tornava influente entre o povo. Datã, Abirão e Om eram filhos de Eliabe  e Pelete que por sua vez foram filhos de Rúbem, nada mais nada menos que o primogênito de Israel. Influencia indiscutível entre todo o povo. Se fizermos o confrontamento do texto bíblico com nossa realidade, veremos que os que causam divisões e contendas entre o povo de Deus, não são os que são vistos pela igreja como problemáticos ou pouco crentes, mas justamente o contrário. São pessoas bem vistas dentro da comunidade, admiradas, respeitadas por suas posições e poder de influencia. Mas o que acontece com estas pessoas, é que não compreendem, e por conta disso não aceitam, que a autoridade espiritual é principio divino e imutável, e que quando rejeitamos isso, tocamos de forma negativa na fonte de toda autoridade, o próprio Deus.
3 – Dão frutos, e justamente por isso se tornam tão carismáticos e “críveis” (Jeremias 12:2). Pessoas infrutíferas não influenciam, não atraem, não comunicam absolutamente nada. Jeremias em suas profecias disse (segundo o texto acima citado) que Deus os tendo plantado eles se arraigaram (Firmar pela raiz; fixar, enraizar ), crescem (veja a ordem divina em Gn1:28), dão também fruto; chegado estás a sua boca, porém longe dos seus rins. Lembram do que falamos acima acerca dos belos discursos? Pois bem Jeremias se incomodou com o fato de haver, entre o seu povo, pessoas que ele classificaria como ímpios, mas que tinham Deus em suas bocas ainda que não o tivessem nos rins. (os antigos acreditavam que o âmago ou centro emocional estava nos rins). Quantas pessoas há entre nosso povo que vivem da mesma forma? O perigo está no fato de as vezes nos deixamos seduzir por belas palavras que nos movem em nossas emoções, mas que sem perceber, também nos movem na contra mão da vontade de Deus nosso pai celestial.
4 – Não se consideram rebeldes, mas se consideram verdadeiras bênçãos para a Igreja por encontrarem apoio, com certa facilidade, em pessoas que também exercem influência (Nm 16:2). Coré e sua trupe quando finalmente saíram das sombras (porque a resistência contra a autoridade espiritual sempre começa nas sombras), não vieram apenas em três, mas acompanhados de duzentos e cinquenta homens dos filhos de Israel, que a bíblia apresenta como príncipes da congregação, homens de posição. Faz-me lembrar da terça parte das estrelas (anjos) envolvidas pelas proposituras do enlouquecido querubim, e ainda do ultimo escatológico levante, que acontecerá após mil anos de paz e total prosperidade sobre a humanidade, momento que a bíblia informa que após ser solto, o adversário sairá a enganar as nações e levantará um grande exército que marchará contra a cidade santa e seu rei. Como um ser humano depois de testemunhar paz, saúde, prosperidade, e tantos outros benefícios sob o governo de um rei imortal, pode aceitar as ofertas de um ex-prisioneiro para tentar destruir a autoridade constituída? Pois é assim mesmo que será, faz parte da natureza humana pender para o erro. Por isso precisamos tanto daquele que é o consolador de verdade, o Espírito Santo de Deus.
5 – Usurpam posições que não lhes competem, se tornam insubmissos (Nm 16: 9 a 12, 13 e 14). A palavra usurpar segundo o dicionário Aurélio traz as seguintes definições: “apossar-se violentamente de, adquirir com fraude, alcançar sem direito, exercer indevidamente”. O texto bíblico citado mostra Moisés reconhecendo o serviço ministerial para o qual Coré com sua linhagem haviam sidos designados, entretanto, a autoridade sacerdotal fora dada à família de Arão e não a todos os levitas. Coré era levita mas não era filho de Arão, e o sacerdócio fora dado a Arão e seu filhos (Exodo 28:1 e 2). É bom termos cuidado quando vier ao nosso coração para dizer coisas como: ele é ungido mas eu também sou, ele foi chamado por Deus mas eu também fui, e coisas desse tipo porque, ainda que seja verdade, não podemos esquecer que além da chamada e da unção existe a questão da autoridade delegada, e quando a autoridade não foi delegada a nós é melhor vigiar e respeitar. Deus é o responsável por aqueles a quem ele delega autoridade. Continuando a analise do texto bíblico em números 16, vemos que após falar as palavras citadas no texto bíblico, Moisés mandou que chamassem a Datã e Abirão, ao que eles responderam: “Não subiremos”. Aqui se manifesta de forma clara e incisiva o principio da rebelião, pois ao responder ao líder que não subiriam para ter com Moisés, eles estavam assumindo publicamente, de forma totalmente explicita, que não reconheciam a autoridade espiritual delegada a Moisés. E neste ínterim eles ainda acrescentam: (vs 13) “porventura é pouco que nos fizeste subir de uma terra que mana leite e mel, para nos matares neste deserto, senão que também queres fazer-te príncipe sobre nós?....porventura arrancarás os olhos a este homens? Não subiremos!” eles não sabiam, ou não queriam entender mas estavam tocando na autoridade de Deus ao desconsiderar a autoridade investida sobre os escolhidos de Deus.
6 – São corajosos e ainda que não obedeçam, encaram os desafios (Nm 16:18 – Pv 14:16). Depois de enfrentar a resposta mal educada dos pupilos de Coré, Moisés se ira e parte para o desafio convocando para o dia seguinte um encontro diante do Senhor. Os opositores não fugiram ao desafio. Não pensemos que quem está na contra mão da vontade de Deus simplesmente ao serem desafiados, entendam que estão errados e se arrependam, pelo contrário, ao serem desafiados se levantarão ainda mais furiosos, mas é justamente aqui que se cumpre o que está escrito em Jó 5:13, Deus apanha os sábios na sua própria astúcia. Pois ao desafiá-los a irem diante do Senhor com seus incensários, Moisés os induziu a errar, terminal e publicamente, porque ainda que todo e qualquer individuo em Israel pudesse e tivesse o seu incensário, apenas os sacerdotes podiam se apresentar diante de Deus com seus incensários (os quais figurariam como um tipo de Cristo). Na Bíblia há vários casos de pessoas que erraram, ao fazer algo que não lhes era atribuído por Deus, e por isso foram duramente punidos a exemplo de: Uzias ao entrar no templo e tentar oferecer incenso (II Cr 26), Nadabe e Abiú ao oferecerem fogo estranho (fogo que não fora tirado do altar do holocausto – Nm 3:4), etc. Mas em todos os casos a lógica é a mesma, todos feriram a autoridade de Deus, questionando ou modificando qualquer de suas ordenanças. Voltando ao assunto deste tópico, o que aprendemos é que pessoas envenenadas pelo antitassõ, não se amedontram e encaram qualquer desafio, mas justamente nesse ponto sua arrogância se torna o laço para sua própria queda(Pv. 16:18).
7 – Tem poder de persuasão(Nm 16:19). No dia seguinte lá estava Coré e seus sequazes, mas desta vez em vez de apenas duzentos e cinquenta príncipes, a bíblia nos diz que “Coré fez ajuntar contra eles todo o povo à porta da tenda da congregação”. Misericórida! Ainda bem que Moisés tinha óleo no vazo, e estava debaixo da autoridade delegada por Deus, do contrário, se apavoraria facilmente, e até mesmo teria um mau súbito qualquer. Afinal, encarar todo um povo pagando para ver ser você é escolhido mesmo ou não, e se seus opositores estão com a razão ou não, traz uma angústia considerável. Costumo dizer que sempre estamos tocando no coração das pessoas, seja para bem ou para mal, sempre tocamos lá deixando nossas marcas através de atos, palavras, omissões, etc. Um dos segredos de um bom líder espiritual é aprender a tocar de forma positiva no coração de seus liderados em todo o tempo, porque isso além de cativar a psique de quem se lidera, abre seu coração para receber seus ensinamentos, orientações, reprimendas e ordens, reagindo com a obediência por amor e admiração e nunca por pura obrigação. Mas como os filhos deste mundo são mais prudentes que os filhos da luz(Lc 16:8), normalmente quem faz o papel de tocar bem no coração das pessoas é justamente os que querem apenas o seu próprio desejo, justamente o que vemos nos texto bíblico que estamos considerando. Coré não levou todo mundo para diante da tenda da congregação porque fosse sobrenatural, mas porque soube se fazer ser ouvido, ainda que nas sombras, mas conseguiu resultados. Não podemos no exercício da autoridade espiritual nos esquecer que Deus sendo fonte de toda autoridade, se manifesta, organizando, criando, provendo, se relacionando e delegando.
8 – Normalmente terminam muito mal (Nm16: 28 a 35).  Moisés totalmente consciente de sua chamada unção e autoridade,  no momento decisivo opta por colocar a prova estas mesmas qualidades, conclamando diante de Deus um fim totalmente diferenciado que se manifestasse sobre seus opositores, dizendo que a terra os consumiria vivos, e assim foi. Deus honra a quem ele delega dunamis ou exousia. Quem toca a autoridade divina, plena ou delegada, não fica sem um final coerente com suas escolhas. Mas, contudo, há algo bastante importante a considerar aqui. Moisés disse no versículo 30 que em a terra consumindo aqueles homens o povo saberia que aqueles mesmos homens haviam irritado ao Senhor. Apesar de acontecer como Moisés dissera, a verdade é que no dia seguinte o povo murmurou contra Moisés novamente, dizendo que eles haviam matado o povo do Senhor(16:41). Moisés pensou que com algo totalmente diferente o povo temeria e abandonaria todas as idéias envenenadas de Coré e seus asseclas, mas o veneno da rebelião havia permanecido no coração do povo bem como sua admiração pelos opositores dos escolhidos de Deus. Deus envia uma peste entre o povo por conta da murmuração (vs 45). Murmuração atrai a ira de Deus, e quando Deus se ira contra alguém ou alguma coisa, as portas se abrem para a dor, doenças, infidelidade, morte, inimizades, entre tantos outros males. Mas o que eu quero considerar é que enquanto Moisés pensava que o povo seria curado por ver a derrocada de seus inimigos, Deus planejara curar o povo mostrando flores. Isso mesmo, para aplicar o antídoto contra o veneno da rebelião que estava no coração e mente do povo, o Senhor disse a Moisés para pegar as bengalas (varas) dos anciãos de Israel e escrever os nomes das tribos nas mesmas, e na vara de Levi o nome de Arão, e então dizer ao povo, que depois de uma noite diante da arca do Senhor, a vara daquele a quem Deus havia escolhido floresceria. Uma maravilha absoluta, e então no dia seguinte, a vara de Arão tinha flores frutos e renovos. Pronto!!! o povo estava curado!!! No exercício da autoridade espiritual precisamos entender que depender da sabedoria de Deus é o melhor caminho para alcançar as melhores e mais eficazes soluções. Quase nunca a terra engolir todo mundo da o resultado que precisamos para o bom andamento da obra.

Autoridade Espiritual. Parte 5


5 - MURMURAÇÃO - SINTOMA DA OPOSIÇÃO A AUTORIDADE.

“E não murmureis, como também alguns deles murmuraram, e pereceram pelo destruidor” – I Cor 10:10 
Murmuração (Gr. Gonguzõ) – falar em baixo tom depreciando, maldizer, proferir imprecações, falar mal desavergonhadamente (VINE). O ser humano sempre reage a tudo que lhe acontece, mesmo a fleuma é um tipo de reação, e que não pode ser considerada simples indiferença, pois é resultado de uma série de aspectos psicológicos e sociológicos que somados induzem o individuo a agir de determinada maneira. A vantagem da impassividade é que normalmente se fala pouco, e posso afirmar que no silencio dos lábios há segurança. “o que guarda a sua boca conserva a sua alma, mas o que muito abre os seus lábios se destrói (Pv 13:3)”. Quando o cristão não reconhece a autoridade espiritual que está sobre si, isso o incomoda, e ao incomodo ele reagirá de diversas maneiras, mas quando sua rejeição a autoridade se torna crônica, sua reação mais natural é “gonguzõ”, ou seja, murmuração. Mas não termina ai, pois murmurar é o primeiro passo para a maledicência explícita, e da maledicência facilmente se chega a rebelião. Há quatro palavras gregas que gostaria de abordar para tornar este assunto um pouco mais claro. São elas:
1 – Koinoõ – tornar comum, no sentido cerimonial, tornar profano (destituído de realeza), pobre – Atos 10:15. Sempre que alguém se torna sectário da oposição à autoridade, isto se manifestará antes de qualquer atitude, através da murmuração, e esta tem a habilidade de tornar aquilo que Deus santificou, escolheu, ungiu, em coisa comum e imunda como disse o Senhor a Pedro na visão em Jope (Atos 10). O murmurador nunca reconhece a benção de Deus sobre aquilo ou aqueles a quem ele escolhe, antes valoriza o que está ruim, errado ou torto, tornando comum, fazendo descer a um nível inferior aquilo que Deus exaltou.
2 – Molumõ – sujar, lambuzar, lançar lama – I Cor 8:7. Quando alguém valoriza os defeitos e falhas de alguém, não o faz sem que isso cause um efeito fortemente negativo. O ser humano tem uma incrível tendência a sentir prazer nas fraquezas dos outros, principalmente quando se vive com a sensação de fracasso próprio e impossibilidades. O homem natural usa como que um abrigo psicológico, o comentar e propalar os erros e falhas de alguém, ainda mais quando esse alguém exerce autoridade espiritual. Mas a questão, é que aquilo que se fala de alguém é associado a imagem mental que temos da pessoa. Quando essa imagem ainda esta em construção, facilmente aceitamos e armazenamos no subconsciente, argumentos que “lambuzam” a imagem que estamos construindo acerca das pessoas, dificultando o futuro das relações sociais e espirituais. A bíblia diz que tudo é puro para os que são puros, mas nada é puro para o que é contaminado e infiel (Tito 1:15), e por conta disso quando sob o principio da rebelião, com muita facilidade tecemos comentários maldosos que comprometem a imagem das pessoas na mente e coração de nossos semelhantes. Quem resiste a autoridade manifestará, às vezes de forma muito dissimulada e outras de forma totalmente assumida, o desejo de comprometer (lambuzar, sujar jogando lama) a imagem do líder, valorizando suas fraquezas, em vez de atentar para sua fé. Dentro deste contexto ainda há as palavras:
3  – Miainõ – tingir com outra cor. E por fim, (4) -  spiloõ – manchar, fazer mancha (Ef 5:27). Mas seria redundância comentar estas palavras porque todas encerram a mesma característica, que é a contaminação moral e/ou cerimonial daquilo a que se refere. Indo mais adiante, podemos concluir que a murmuração é característica dos que desprezam o conhecimento de Deus – Romanos 1:28 a 32 (efetuar leitura), assim como a injúria, soberba, desobediência, infidelidade e tantos outros péssimos adjetivos citados no texto em questão. Quem se aproxima de Deus tem como prioridade saber que ele existe e que é galardoador dos que o buscam (Hb 11:6). Um cristão ou obreiro com essa mentalidade é imunizado pela ação do Espírito Santo e pela palavra de Deus para resistir aos princípios malignos e nunca se contaminar, não mudar de cor, ou coisas como estas.

A murmuração nos faz sair das medidas de Deus – Fé e orgulho não caminham juntos, onde um opera, o outro se ausenta. Deus disse a Moisés que tudo tinha que ser feito conforme o modelo mostrado no monte, e neste ínterim, o modelo trazia todas as especificações ornamentais, mas também medidas, que não poderiam ser desprezadas. Paulo escreveu em II Cor 10:13 - “Porém, não nos gloriaremos fora da medida, mas conforme a reta medida que Deus nos deu, para chegarmos até vós;” Estejamos atentos porque é justamente o orgulho que nos faz resistir a autoridade espiritual investida sobre o pai de família, sobre o pastor, o líder de departamento na igreja e assim por diante. A murmuração é sintoma claro de que estamos tomados por algum tipo de orgulho. Este sentimento carnal nos incha e assim nos tira das medidas determinadas pela vontade divina revelada na bíblia sagrada (a medida da humildade – I Pe 5:6). Este inchaço nos torna insensíveis (I Cor 5:2); a ponto de não divisar o que realmente é certo ou errado. Deus projetou para nós uma medida especifica revelada em Efésios 4:13, (a medida da estatura completa de Cristo), para alcançar este glorioso alvo, somente pela fé; e neste exercício, não cabe o orgulho. Ele, o orgulho é questionador, contencioso, semeador de contendas, invejoso, maldizente, amargo, depressivo, infiel e carrega em si ainda muitos outros males.
Engrossa a casca, quando ela deve ser tirada – Ex 25 em diante. Na construção dos móveis e colunas do tabernáculo, a madeira de acácia depois de ser cortada de suas raízes (moldes mundanos), passaria pelas mãos dos artífices que a preparariam para em forma de tábuas ou colunas, serem transformadas nas partes do tabernáculo onde Deus se manifestaria através dos tipos, ou da sua própria glória, como no propiciatório de ouro puro que estava sobre a arca da aliança feita de madeira de acácia. Contudo, o que queremos abordar aqui é que no preparo da madeira, a primeira coisa a ser feita (depois de cortada é claro), seria a remoção da casca. Como estes assuntos são tipológicos, o tirar a casca representa o despojar-se de si mesmo, ficar a mostra, assumir uma postura de transparência moral e espiritual através da humildade em renunciar a própria natureza. Não foi exatamente isso que Jesus fez por nós? Ele despojou-se de si mesmo e assumiu a forma de homem para cumprir seu ministério (Fil 2:5 a 9 – ler este texto). Mas nos que diz respeito a nós, no lugar de nos despojar de nós mesmos, quando resistimos a autoridade espiritual engrossamos as camadas exteriores de nossa psique, nossa razão, nossos motivos e concepções, nossos títulos, etc. Para concluir este assunto, lembremos que a madeira de setim (acácia) depois de descascada, aplainada, moldada, receberia sobre sua estrutura nudificada pelas mãos dos artífices, uma cobertura de ouro puríssimo, que representa a presença de Deus em nós, por sua glória na pessoa do Espírito Santo em nós. Ouro e casca não combinam, tem que tirar a casca e preparar a madeira.
Murmurar contra autoridade espiritual é faze-lo contra Deus.
Numeros 14:26 e 27
I Samuel 8: 6 e 7.

texto: Pr. Marcos Pires

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Autoridade Espiritual. Parte 4


4 - OBEDIENCIA ou RESISTÊNCIA contra a autoridade.
O cristão amadurecido reconhece a autoridade sem se focar na pessoa propriamente dita. Em I Cor 4:1 Paulo diz à igreja: “que os homens nos considerem (logizomai=tomar em consideração) como ministros de Cristo e despenseiros dos mistérios de Deus”. Ao proferir estas palavras Paulo ensinava o povo de Deus que se exercitassem na habilidade de reconhecer a autoridade espiritual da qual os ministros estavam investidos, tendo essa visão em primeiro plano, o que tornaria a Igreja muito mais eficiente na produção pela obediência. A obediência é exigência divina (I Sm 15:22 – Is. 1:19), quando Deus se revela a Israel como Jeová Rafá em Êxodo 15:26, ele inicia não com a revelação mas com a condição ao dizer: “Se ouvires atentos a voz do senhor teu Deus, e fizeres o que é reto diante dos seus olhos, e inclinares os teus ouvidos aos seus mandamentos, e guardares todos os seus estatutos, nenhuma das enfermidades porei sobre ti, que coloquei sobre o Egito; porque EU SOU O SENHOR QUE TE SARA.” A obediência traz cura, e melhor que isso, traz o conhecimento do Deus que cura, daí podemos amplificar esse pensamento dizendo que a obediência conduz a alcançar a revelação, e esta por sua vez nos leva à intimidade com a fonte de toda autoridade, o criador supremo. Em I Sm 15:22, o profeta Samuel apresentou uma verdade espiritual imutável e absolutamente fundamental quando disse ao desobediente e imprudente rei Saul: “tem porventura o Senhor tanto prazer em holocaustos e sacrifícios, como em que se obedeça à palavra do Senhor? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar; e o atender melhor é do que a gordura de carneiros”. E no versículo seguinte o profeta ainda acrescenta: “porque a rebelião é como o pecado de feitiçaria, e o porfiar (contender com palavras) é como iniqüidade e idolatria”. Há uma gloriosa lição a considerar aqui; Mesmo no sacrifício pode haver vontade própria, somente a obediência coloca Deus no centro. 

Para obedecer é necessário reconhecer (aceitar com submissão) a autoridade.

Paulo escrevendo aos Colossenses disse no cap 3 vs 23: “e tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como ao Senhor e não aos homens”. Isto denota o compreensão da autoridade espiritual representada nas pessoas a quem Deus estabelece diante de nós e sobre nós. Olhamos para as pessoas mas vemos Deus, nelas representado, através da autoridade a elas delegada. Ao escrever sua epístola pastoral a Tito disse no cap 3 vs 1: “admoesta-os a que se sujeitem aos principados e potestades, que lhes obedeçam, e estejam preparados para toda boa obra”. Como foi dito na introdução, o principio da autoridade só vigora onde há o principio da obediência, que lhe é imediato e atrelado pela força da relação. Uma das causas dos grandes fracassos ministeriais e relacionais que temos visto no seio da igreja nos nossos dias é sem dúvida a dificuldade em compreender, aceitar e praticar estes princípios bíblicos. Deus se dirigindo a Moisés, quando lhe mostrava o modelo do tabernáculo, o orientou a fazer tudo conforme o modelo que lhe havia sido mostrado no monte (Ex 25:9 e 40). Não há outro caminho que traga resultados, a não ser obediência aos preceitos divinos, ou seja, fazer tudo conforme o modelo, e seguindo esta linha de pensamento observe que Paulo em sua primeira carta aos Tessalonicenses no cap 5:12 e 13 disse o seguinte: “e rogamo-sos irmãos, que reconheçais (Gr. Eido – ter máxima consideração) aos que trabalham entre vós e que presidem sobre vós no Senhor, e vos admoestam; e que os tenhais EM GRANDE ESTIMA E AMOR, por causa da sua obra.”  Quando amamos e estimamos os que exercem autoridade sobre nós, seja na igreja, seja na família, ou ainda nas relações sociais, honramos e glorificamos a Deus, que como já disse antes, é a fonte de toda autoridade. “E, respondendo o Rei, lhes dirá: Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes” (Mateus 25:40). Quando agimos assim frutificamos para a eternidade. Paulo procurou ensinar a igreja na Galácia com respeito a essa verdade espiritual dizendo o seguinte: “e o  que é instruído na palavra, reparta de todos os seus bens com aquele que o instrui” (Gl 6:6). O amor e estima se manifestam inclusive na preocupação com o bem estar social físico e espiritual de seus líderes, mantendo-os cobertos pela oração de intercessão(I Tim 2: 1 a 3), e com o cuidado. E isto segundo o texto citado, agrada a Deus.

Submissão e reconhecimento da autoridade é resultado de Fé. (Mateus 8:5 a 10)

A bíblia deixa isto muito claro citando as palavras de Jesus no texto referido. Quando o Centurião (chefe sobre cem soldados) se chega a Jesus para interceder por seu criado que estava paralítico e violentamente atormentado, demonstra duas coisas: Tinha em sua mente e coração os princípios da liderança servidora, porque no exercício de sua autoridade identificou e procurou atender a necessidade de seu liderado, e acrescentando a isso, tinha visão e compreensão do principio da autoridade e submissão a esta. Quando se apresenta a Jesus solicitando-lhe socorro, age e se pronuncia de forma que toca no coração de Jesus de tal maneira, que o mestre dos mestres se pronuncia dizendo: “Em verdade vos digo que nem em Israel encontrei tanta fé”. Sem fé é impossível agradar a Deus nos diz Hebreus 11:6, e quando vivemos e operamos pela fé, não teremos dificuldade em reconhecer a autoridade espiritual e nos submeter a ela. Romanos 13:1 “toda alma esteja sujeitas as potestades superiores, porque não há potestade que não venha de Deus, e as potestades que há foram ordenadas por Deus.” A questão aqui é tão profunda que ultrapassa nossas concepções em todos os sentidos, na verdade, sempre que tratamos de valores espirituais, os conceitos humanos acerca desses assuntos, sempre serão um obstáculo para a perfeita compreensão da multiforme sabedoria de Deus. Veja por exemplo o que o Espírito Santo nos ensina através do texto de Filipenses 2:3 “cada um considere os outros superiores a si mesmo”.  Se isto não for concebido, praticado pela fé, de que forma poderá surtir efeito em nós? Reconhecer e considerar os outros superiores a nós mesmos, é resultado de fé, em obediência aos mandamentos espirituais. Quantas dificuldades seriam evitadas dentro de nossas igrejas se tal fundamento bíblico fosse vivido em toda a sua intensidade?
 "Não sabeis vós que a quem vos apresentardes por servos para lhe obedecer, sois servos daquele a quem obedeceis, ou do pecado para a morte, ou da obediência para a justiça?"  (Romanos 6:16)

Autoridade Espiritual. Parte 3


3) – Autoridade Espiritual sobre a Familia. 
A palavra dispensação (Gr oikonomia), significa primariamente “a administração de uma casa ou dos assuntos domésticos” (formado de oikos, “casa” e nomos, “lei”); portanto o gerenciamento ou administração da propriedade de outros, e daí, “mordomia” (Lc 16: 2 a 4). Dispensação não é um período ou época (uso comum, mas errôneo da palavra), mas um modo de procedimento, um arranjo ou administração de assuntos (Vine), ainda que evidentemente aconteça dentro de um período de tempo. Deus é a fonte de toda autoridade e por conta disso ele pode delegar autoridade a quem quer, e vemos isto acontecendo no capitulo 1 vs 28 de Genesis quando o senhor delega autoridade ao homem sobre os animais da terra durante a dispensação da inocência. Esta autoridade seria ampliada somente após a queda do homem e inicio da dispensação da consciência, quando Deus disse à mulher que ela teria seu desejo direcionado ao homem, e por ele (o homem) seria dominada. Veja que aqui começa a se desenhar a autoridade espiritual dentro do lar, porque Deus que havia colocado a fauna sob a autoridade do homem, agora coloca o homem sob autoridade do próprio homem e isto dentro do seio familiar. Depois durante a dispensação do governo humano, o Senhor Deus delega autoridade para punir o homicida, dizendo que aquele que derramasse o sangue de um homem, pelas mãos dos homens seu sangue seria derramado. (Gen 9:6). E então finalmente chegamos ao período patriarcal (patri = projenitor) quando Deus de forma absoluta delega autoridade ao líder familiar para governo da família. Vemos isso no momento em que falando a Abraão Deus diz o seguinte: “abençoarei os que te abençoarem, e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra.” Neste trecho bíblico vemos a delegação de autoridade ao chefe familiar e ainda acrescenta: “em ti serão benditas todas as famílias da terra” (Gen 12:3), deixando claro que a benção que emana de Deus passaria pelo cabeça da casa. O chefe da família dentro da dispensação patriarcal tinha tanta autoridade sobre seus filhos que ainda em vida reuniria seus filhos e ministraria sobre eles a benção paternal, a qual definiria todos os rumos na vida dos mesmos. Depois desse breve desenho da linha bíblica que mostra como a autoridade espiritual foi sendo direcionada sobre o homem, vamos então considerar segundo a bíblia esta questão para nossos dias: Sempre atentando para o seguinte: Quando a bíblia fala da autoridade espiritual, fala tanto de deveres como de direitos. Não há desequilíbrio, imparcialidade nem injustiça. Há algo de total importância a considerar aqui; a verdade é que membros de uma sociedade que são exercitados ao reconhecimento e submissão à autoridade dentro do lar terão muito mais chances de se saírem bem nas relações sociais em todos os aspectos. E a razão de ser assim, esta no fato de que tudo que se pode viver em um relacionamento, é grandemente amplificado dentro da família. Cada emoção, cada decisão, cada sofrimento, conquistas, êxitos e fracassos, têm sua força de percepção  aumentada dezenas de vezes no seio da família. Isto se reflete claramente na maneira como lidamos com as pessoas que estão ao nosso redor, mas que não fazem parte do nosso contexto familiar. No que diz respeito a relação patrão e empregado, líder e liderado, pastor e membros, lideres de departamentos e integrantes, o que vivemos dentro de casa se refletirá claramente na maneira de agirmos dentro de cada contexto. 
A – autoridade espiritual sobre a esposa. Efésios 5:22 a 33.
Para continuar este tópico leia o texto bíblico. Paulo escrevendo a igreja em Éfeso, instrui as mulheres que se sujeitem (Gr. Hupotasso, formado de Hupo=debaixo e Tasso=organizar), primariamente esta palavra era um termo militar que significa “ordenar para baixo”, “por em sujeição”, “sujeitar”. Como vivemos uma época de liberalismos extremos e de questionamentos à visão teológica, vemos que fica cada vez mais difícil a mulher cristã colocar este mandamento bíblico em prática. É claro que quando falamos em submissão não estamos falando em subserviência, escravidão e entrega a autoritarismos machistas, claro que não! O que precisamos considerar é que na, na verdade, as mulheres cristãs deste novo século estão cada vez mais distantes de cumprir este principio bíblico por conta das muitas mensagens transmitidas pela mídia, que pregam a independência feminina; (I Timóteo 2:12 “não permito que a mulher ensine nem que use da autoridade sobre o marido), mas lá no livro de Genesis quem falou foi o próprio Deus, e ele disse que a mulher teria seu desejo voltado para o homem (seu esposo) e que este sobre ela dominaria. É a palavra de Deus que estamos estudando aqui e por conta disso fica a pergunta. A mulher tem honrado  a autoridade espiritual da qual o esposo esta investido por determinação e delegação divina? Paulo disse que as mulheres se sujeitassem aos esposos como ao Senhor. O que isto quer dizer? Que se focassem na autoridade investida sobre o esposo, que por conta desta mesma autoridade, é representante legal do próprio Deus dentro do lar. “Por isso quem resiste à postestade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos a condenação” (Romanos 13:2). Segundo o texto bíblico, o homem é cabeça da mulher, como Cristo é cabeça da Igreja, sendo ele o salvador do corpo. O que é mostrado no texto em questão é o principio imutável e inegável da autoridade divina. Contudo, avaliando o outro lado desta questão (o lado do homem) vemos que Paulo na direção do Espírito Santo, não foge do equilíbrio da revelação espiritual deste tema, ao dizer que: “vós maridos mais vossas mulheres, como também Cristo amou a Igreja, e a si mesmo se entregou por ela (Ef.5:25). A verdade é que a autoridade espiritual deve ser fundamentada no amor. Ser líder não significa usufruir do poder para ter suas necessidades e desejos atendidos o tempo todo, ao contrário, o conceito de liderança servidora, muito em discussão nos nossos dias principalmente no mundo dos negócios e super empresas, é que o líder deve estar atento as necessidades (necessidades, não desejos) de seus liderados e empenhar-se por atende-las. Quando isto acontece há a edificação e aperfeiçoamento da família, das relações sociais, do ministério, e assim por diante. “A autoridade influencia positivamente e induz à ação prazerosa; o poder como força que obriga, funciona, mas desestabiliza e destrói relacionamentos”. Por conta disso maridos, AMAI vossas mulheres; e que nesse amor haja entrega. Outro detalhe mostrado no versículo 26 do capitulo 5 de Efésios é que autoridade espiritual ou liderança identifica necessidades e as atende (santificar, purificando com a lavagem da água, pela palavra), e depois concede propósito e honra (para a apresentar a si mesmo=propósito) e gloriosa, sem mácula, sem mancha, sem ruga nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível (sem defeito)= honra. O líder espiritual não odeia, vc 29 “porque nunca ninguém odiou a sua própria carne; antes a alimenta e sustenta”. 

I Corintios 11:3 – mas quero que saibais que Cristo é a cabeça de todo homem, e o homem a cabeça da mulher, e Deus a cabeça de Cristo.

B – Autoridade espiritual sobre os filhos. Efésios 6:1 a 4.
O capitulo 6 de Efésios inicia com um mandamento aos filhos que consiste na obediência aos pais e conclui o versículo 1 dizendo que isto é justo (Gr dikaios). Vine diz que primariamente esta palavra era usada para aludir a pessoas observantes de dike, “costume, regra, direito”, sobretudo no cumprimento dos deveres a “deuses” e homens, e de coisas que estavam em concordância com o direito. No novo testamento, denota “justo, integro”, um estado de estar certo, ter razão ou de conduta correta, julgada quer pelo padrão divino quer de conformidade com os padrões humanos, do que é direito. Já Strong traz a seguinte conotação: “usado para aquele cujo modo de pensar, sentir e agir é inteiramente conforme a vontade de Deus”. Não é difícil encontrar em nossos templos jovens que, nem de longe, dão a seus pais o respeito e honra, ordenados na bíblia sagrada. Em suas palavras Paulo escrevendo aos Efésios ensina aos filhos que, quem obedece respeitando  a autoridade espiritual investida sobre os pais,  esta fazendo certo, esta conforme a vontade de Deus.  Por conta disso o próprio criador acrescentou a esse mandamento uma promessa, que consiste nada mais nada menos que na prolongação da vida. Mas não basta obedecer, é preciso honrar. A tradição oral conta a história de um pai que corrigia seu filho,batendo-lhe nas mãos com uma sandália de madeira; em certo momento por conta de sua ira, o pai usa de tanta força que a sandália salta de sua mão e caí a uma certa distância; o filho corre toma a sandália e respeitosamente a recoloca nas mãos de seu pai, reassumindo a posição de castigo. Por mais absurdo que isso nos pareça, esta de acordo com o que Deus projetou para a Igreja no que tange a relacionamento entre pais e filhos (não que pais espanquem aos filhos, mas que os filhos tenham o máximo respeito e apreço aos pais). Observe o que a escritura nos diz em Tiago 4:10 e I Pedro5:6; os dois textos nos falam de humilhar-se (gr.tapeinoõ – tornar baixo, trazer para baixo, nivelar reduzindo a plano, abaixar). Humilhação é diferente de autocomiseração, humilhar-se não é ter dó de si mesmo(muita gente anda desse modo). Humilhar-se significa nivelar em baixo mesmo sabendo que tem todo direito e recursos para estar em cima. O melhor exemplo disso vemos no próprio Jesus que “sendo em forma de Deus não teve por usurpação ser igual a Deus, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; e achado na forma de homem humilhou-se (nivelou a si mesmo à nossa altura), sendo obediente até a morte, e morte de cruz. Por isso também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo nome.  Note que a atitude de Jesus rendeu-lhe muito sofrimento, mas por fim recebeu de Deus exaltação, soberanamente. Observe que Paulo ao concluir suas palavras aos filhos, acrescenta: “Para que te vá bem, e vivas muito tempo sobre a terra”. Pense melhor, e reaja melhor, quando se relacionar com seus pais, isto sem duvida ira definir como serão seus dias no futuro. Paulo conclui sua recomendação aos filhos com uma recomendação aos pais dizendo: “não provoqueis a ira a vossos filhos”. Aqui voltamos a questão da autoridade e do poder! (como diz J.C. Hunter). O bom líder procura liderar exercendo autoridade, que acima de qualquer conceito, encerra a idéia de influenciar de forma que as pessoas reajam prazerosamente à sua liderança; com respeito ao poder, volto a afirmar, ele funciona, faz as coisas acontecerem, os filhos obedecerem, etc; mas definitivamente o poder como resultado do autoritarismo e não força de influencia, destrói relacionamentos, e quando isso acontece, erramos o alvo (hamartia). Seja prioridade paternal ensinar os filhos a amarem a Deus e também sua palavra. Mas não podemos esquecer de um detalhe. “Quando não cremos no mensageiro fica difícil crer na mensagem”.

C – Autoridade sobre os servos (liderados em geral). Efésios 6: 5 a 9.
Note que o principio é sempre o mesmo: “como ao Senhor”. Focar a autoridade investida sobre as pessoas é ponto de absoluta importância para alcançarmos êxito. Nas relações patrão e empregado, líder e liderado, pastor e membros, lideres de departamentos e integrantes, a recomendação bíblica é que se reconheça a autoridade espiritual investida nas pessoas. Entendo que enquanto alguém estiver exercendo essa autoridade sobre nós, ela representa a pessoa do próprio Deus como fonte de todo poder. Paulo acrescenta a isto uma lista de prioridades.
a) – com temor (phobos:temor, reverencia) e tremor(usado para descrever a ansiedade de alguém que desconfia completamente de suas habilidades de satisfazer todas as solicitações, mas que religiosamente faz o melhor que pode para cumprir seu dever. Preocupadamente, atenciosamente,diligentemente.
b) – na sinceridade (haplotes) do vosso coração.  – a palavra haplotes trás a idéia de, “honestidade de mente”, virtude de alguém livre de pretensão e hipocrisia.
c) – não servindo à vista como que para agradar aos homens. O que fizer não faça para “fazer média”, faça com coração inteiro para frutificar para a eternidade. Não use madeira, feno e palha(I Cor 3:12) no trato com a autoridade espiritual, pois isso, incomoda a Deus e te deixa infrutífero; e sem frutos que perdurem para a eternidade, pode ter salvação, mas não tem galardão. Leia I Cor 3:13 a 15. 
d) – fazendo de coração a vontade de Deus – quando alguém coloca o coração (psuche e não kardia) no exercício da obediência, e ainda nas coisas que realiza, é sinal claro de que é um cristão amadurecido e que conseguiu assimilar o principio bíblico da autoridade espiritual. Quando o coração está naquilo que se faz, o que é feito acontece por completo. “vocês me buscarão e me encontrarão quando me buscarem com o coração inteiro”(Jeremias 29:13 BLH).

e) – servindo de boa vontade. Só consegue servir de boa vontade (prazerosamente) o servo que reconhece, aceita e se submete à autoridade de quem o lidera.

f) – sabendo que cada um receberá do Senhor todo o bem que fizer. Galatas 6:7 – “tudo o que o homem semear, isso também ceifará”. 
“ Assim, sabe o Senhor livrar da tentação os piedosos, e reservar os injustos para o dia do juízo, para serem castigados; Mas principalmente aqueles que segundo a carne andam em concupiscências de imundícia, e desprezam as autoridades; atrevidos, obstinados, não receando blasfemar das dignidades;   Enquanto os anjos, sendo maiores em força e poder, não pronunciam contra eles juízo blasfemo diante do Senhor.
(II Pe 2:9 a 11).


Concluindo estas admoestações, o Apóstolo Paulo se dirige aos senhores (os que exercem autoridade sobre) e os ensina que devem deixar as ameaças (uso do poder baseado no autoritarismo), lembrando-se que tanto o servo como o líder todos são servos do mesmo Deus, e que para o Altíssimo não há acepção de pessoas. Deus não faz distinção ou manifesta predileção, mas respeita a autoridade que ele mesmo confere a quem ele escolhe para portar tal poderio. “temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a Excelência do poder seja de Deus, e não nossa” (II Cor 4:7

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Autoridade Espiritual. Parte 2


2 – AUTORIDADE DELEGADA.
Delegar – Aurélio diz: transmitir poderes. Aulete diz: Transmitir, conceder, conferir (poder, incumbência).
No livro de Deuteronômio 8:18 a bíblia diz: “Antes te lembrarás do Senhor teu Deus, que ele é o que te dá força (hb. koach ou kowach – capacidade para) para adquirires poder (hb. chayil – habilidade de causar ou produzir algo)”. Nota: algumas traduções preferem a palavra riqueza, contudo, esta palavra hebraica também significa: força, capacidade, proeza, exército, tropas, influente (classe alta). Deus sendo fonte de todo poder, se manifesta, organizando, criando, provendo, se relacionando e delegando. A questão é que o próprio Deus deixa bem claro neste texto bíblico que a fonte de toda autoridade esta nele, e ele mesmo nos dá capacidade (autoridade espiritual), habilidade para conseguir causar ou produzir algo. Para manter a ordem das coisas criadas, o Senhor delega poder, a pessoas que como representantes de sua autoridade absoluta, tem a função de ser extensões de seu poderio em lugares e grupos específicos. Jesus fez menção sobre a questão da autoridade delegada no livro de João no capitulo 19 e VS 11 quando ele disse a Pilatos: “Nenhum poder terias contra mim se de cima não te fosse dado”. E depois Jesus ainda citou um dos versículos chave para este conceito, texto que Lucas registrou no capitulo 10:19 de seu livro, onde lemos o seguinte: “eis que vos dou poder(exousia), para pisardes serpentes e escorpiões e toda força(dunamis) do inimigo e nada vos fará dano algum”. Posteriormente Paulo escrevendo aos Efésios no cap 4 e vs 11 e 12 disse: “E Ele mesmo deu uns para apóstolos, outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores, querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para a edificação do corpo de Cristo”. A autoridade espiritual que recebemos não a recebemos porque queremos ou porque sejamos melhores que alguém em alguma coisa, ou ainda porque seja nossa própria opção(João 15:16), mas nos foi dado pelo próprio Deus com um objetivo bem definido que nada tem a ver com o nosso ego, ou satisfação pessoal, mas sim com:

A – Aperfeiçoamento  dos santos. (katartismos–capacitar, ajustar, completar). A autoridade espiritual gera aperfeiçoamento na Igreja, porque é provedora, organizacional, educadora, servidora, investidora(talentos pessoais), etc. O líder espiritual recebe de Deus capacitação para ajustar, completar e assim por diante. 

B – Para a obra do ministério(Gr- diakonia) – serviço, ministério, trabalho daqueles que executam os pedidos de outros, daqueles que pelo pedido de Deus proclamam e promovem religião entre os homens, do ofício dos apóstolos e sua administração, do ofício dos profetas, evangelistas, anciãos, etc. serviço aqueles que brindam aos outros os ofícios da afeição cristã, aqueles que ajudam a atender necessidades, seja pelo recolhimento ou pela distribuição de caridades. Ofício do diácono na igreja, 5) serviço daqueles que preparam e ofertam alimento (Dic. Bíblia Strong). Algo importante a ser considerado aqui é que a autoridade espiritual deve atrair e não afastar. A obra do ministério diz respeito ao ministério da reconciliação (II Cor 5:18 – katallage, ajuste de uma diferença, restauração à situação favorável anterior), ou seja, da reaproximação do que foi colocado longe. Lembro aqui de um texto interessantíssimo registrado em Juizes 4: 6 e 7, onde Deus através da profetisa Débora ordenou a Baraque que atraísse gente ao monte Tabor (formasse um exército), enquanto Ele (o Senhor Deus) atrairia a Sísera e seu exército (os inimigos) para um lugar especifico, onde Baraque deveria destruí-los. Basta-nos, no exercício da autoridade espiritual, atrair para formar exércitos que lutem pelo Senhor, porque inimigos o próprio Deus atrairá para que através de nós sejam eles punidos segundo a reta justiça divina, ou alcançados e transformados pela graça de Deus em nós e por nós(através).
C - Edificação do corpo de Cristo. A autoridade espiritual é poder delegado que conduz a Igreja ao crescimento, porque organiza e orienta os membros de uma comunidade a produzir e multiplicar, dando aos mesmos diretrizes, alimento(bíblia), recursos(instrução no exercício da fé e suas armas), exercita o crente no principio da obediência, etc. Sendo assim, a autoridade espiritual identifica necessidades. Enquanto lemos Genesis 1, 2 e 3 podemos notar com clareza, que o criador mostra uma atenção toda especial em propiciar ao homem, objeto de sua revelação pessoal, um ambiente totalmente confortável e rico, em todos os sentidos, e depois de tudo pronto, Deus no exercício de sua soberania, identifica uma necessidade em seu filho Adão; o homem estava só, não tinha alguém de sua própria espécie com quem pudesse conviver e por conta disso o criador conclui: “não é bom que o homem esteja só, far-lhe-ei uma auxiliadora”( Gn2:18). Partindo deste ponto, olhamos para os evangelhos e lá encontramos o Senhor Jesus no exercício de seu ministério terreno, anunciando o reino de Deus e neste ínterim, atendendo as necessidades humanas pela ministração da própria palavra doutrinária acompanhada dos milagres, da providencia (multiplicação dos pães), do respeito a autoridade (daí a César o que é de César e a Deus o que é de Deus), e do auto-sacrificio(entregou-se a si mesmo). No exercício do ministério cristão precisamos redescobrir o ponto de equilíbrio bíblico para que a Igreja continue sendo edificada.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Estudo Bíblico sobre Autoridade Espiritual. (parte 1)

A.E   - escrito  Pr. Marcos G. Pires em NOVEMBRO DE 2011

INTRODUÇÃO Há alguns princípios que regem a nossa existência. Principium: de primo (primeiro) et capere (pegar, tomar). O princeps é aquilo que toma o primeiro lugar, a primeira parte, o primeiro posto; é o príncipe, o chefe, o “cabeça”, o soldado da linha de frente. O princípio, assim, é um início, um começo, um fundamento para a construção de um edifício, o ponto de partida, que por força da determinação divina é absolutamente imutável(Mt 24:35 – João 1: 1 a 3). Dentre estes princípios poderíamos citar como exemplo, o principio da sexualidade: “macho e fêmea os criou” (Genesis 1:27); o principio da organização e funcionalidade, tudo tem seu lugar e seu propósito dentro do plano de Deus(Genesis 1: 6 a 9 Gen 2:19), e neste ínterim a bíblia ainda acrescenta: I Cor. 12:28 – “E a uns pôs Deus na igreja, primeiramente apóstolos, em segundo lugar profetas, em terceiro doutores, depois milagres, depois dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas”. Depois disto podemos considerar também o principio da frutificação (Genesis 1:20, 21 e 22). Considerando o texto de Isaias 45:18 “Ele a confirmou, não a criou vazia, mas a formou para que fosse habitada”, temos que considerar que o Senhor para cada item da criação previa um sistema de frutificação e multiplicação para que a terra fosse habitada conforme sua vontade. Na ótica divina, o ser ou estar infrutífero, é algo que não se coaduna com seus propósitos eternos. Como exemplo vemos a passagem registrada no evangelho de Mateus 21:19, a figueira que só tinha folhas recebeu uma palavra absolutamente reprobatória que a colocou em uma posição de total inutilidade (Pv. 29:1). Neste ínterim devemos ainda citar a lei dos primeiros frutos, a qual nos indica que Deus determina que naquilo que oferecemos a ele, devemos oferecer das primícias, ou seja, dos primeiros frutos. Aqui esta a causa para que o sacrifício de Caim não fosse aceito, observe que Caim tomou a iniciativa de ofertar e trouxe ao Senhor daquilo que era coerente com seu trabalho e sua vida, ele ofereceu coisas boas, mas não ofereceu das primícias, ao passo que seu irmão Abel, diz a bíblia, ainda que ofertando depois de seu irmão, apresentou dos primeiros frutos de seu rebanho, exaltando desta maneira a soberania divina sobre sua própria vida. Há ainda outros pontos que poderíamos abordar aqui, contudo, não é o propósito desta apostila. Vamos então ao ponto principal. Um dos mais claros princípios apresentados dentro do relato bíblico, e que na verdade rege todos os demais, é o principio da autoridade divina. Watchman Nee diz o seguinte: “Deus age a partir do seu trono, e o seu trono está estabelecido sobre a sua autoridade. Todas as coisas são criadas pela autoridade de Deus e todas as leis físicas do universo são mantidas através de sua autoridade!”. Por isso a Bíblia diz que Deus está "sustentando todas as cousas pela palavra do seu poder", o que significa que todas as coisas são mantidas pela palavra do poder de sua autoridade (Hb 1:3)”. Consideremos aqui um ponto de extrema importância, há vários principios com especificidades diferentes, mas para qualquer um deles a atitude esperada por Deus com relação a nós é sempre a mesma: Obediencia [Do lat. obedientia, oboedientia. – submeter-se a vontade de]. Para cada manifestação de Deus durante os dias da criação, a reação foi a obediência. A luz, o surgimento da porção seca, a divisão das águas, os luzeiros para o dia e para a noite, animais marinhos ou terrestres, tudo e todos são resultados da reação obediente do nada ou da matéria já formada, para com a autoridade divina revelada através de sua palavra. Aqui podemos então concluir que há vários princípios que regem nossa existência e todos operam sob a autoridade de Deus. Mas há apenas um através do qual poderemos oferecer resposta satisfatória à vontade de Deus: Obediência pela fé!!! (Hb 11:6). Leia ainda Romanos 6:16. Observe que no capitulo 1 do livro do Genesis, em nosso bom português, existem três palavras que apresentam Deus exercendo plena autoridade em todos os momentos da criação. São elas: Haja, produza e façamos. E não podemos nos esquecer que nos originais hebraicos as palavras são quatro: 1) Bãrã = criar do nada(vs 1, 21 e 27), 2) Ãsãh = fazer (matéria pré-existente), 3) Yãsãh = formar (idem), 4)Kun = estabelecer.

1 – SANTIDADE E AUTORIDADE DE DEUS.
O capitulo 1 de Genesis ainda nos mostra que para cada item da criação Deus estabeleceu uma posição e função, e que excetuando a obra do sexto dia, tudo que foi criado permaneceu dentro do propósito divino, e assim tem sido durante os séculos. Por incrível que possa parecer, apenas dois seres dentre toda a criação foram incapazes de obedecer a Deus irrepreensivelmente. O homem, a principal das obras de Deus, sua obra prima, sua imagem e semelhança, que por conta disso trouxe o pecado sobre a raça humana e com ele a morte, e o seu antecessor que fora criado na eternidade, o Querubim ungido, o qual preferira contestar a autoridade de Deus, usurpando ser como Deus, atitude que lhe rendeu uma triste transformação, o antigo “Portador de Luz”, agora por conta de sua rebelião foi transformado em “o adversário, o caluniador, a antiga serpente e por ai vai. No que diz respeito a nós, corremos um sério perigo em não considerar este assunto e suas implicações, pois quando não atentamos para a autoridade espiritual que está sobre nós, podemos facilmente tocar na arca, quando na verdade, devemos carregá-la sobre os ombros conforme a ordenança bíblica (IISm 6:3 e Num 4: 2 e 15). Observe que há muitas formas de se ofender a Deus, mas todas podem ser classificadas de duas maneiras:
A) – Ofender a santidade de Deus; Davi fez isso quando adulterou com Beteseba, e depois para encobrir seu pecado tentou articular maquiavelicamente a aproximação marital da mulher com seu esposo (para assim dissimular a gravidez e ocultar o adultério) que estava no campo de batalha, porém, ao ter seus planos frustrados, empreendeu um plano de morte que levaria o fiel Urias a tombar diante do inimigo (IISm11). Apesar disso, ainda que Davi tivesse que chorar a morte de seu recém nascido, foi perdoado pelo Senhor e continuou sua vida e ministério.
B) – Ofender a autoridade de Deus.  Saul, antecessor de Davi, recebera uma ordem divina para destruir a Amaleque, completamente, e a isto ele respondeu tomando suas próprias decisões, fazendo suas próprias escolhas e terminou por desagradar a Deus, pecando contra sua autoridade e o resultado foi que Deus o rejeitou (I Sm 15: 22 e 23). Observe que pecar contra a santidade de Deus é questão de conduta, por outro lado, ferir a autoridade de Deus é questionar, contradizer e até mesmo se opor a vontade dele,  e isto é questão de caráter, e aquilo que é resultado do caráter não acontece esporadicamente, está totalmente atrelado à nossa natureza, podendo se manifestar a qualquer momento em qualquer lugar.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

A Igreja e sua relação com o atual

A bíblia, nos livros do novo testamento, empresta da língua grega a palavra Ekklesia(ekkhsia)para se referir ao corpo místico de Cristo, a Igreja. Tal palavra segundo o dicionarista VINE é formada de ek (para fora de) e klesis (chamado), sendo o referido verbete usado na antiguidade para descrever um corpo de cidadãos “reunidos” com a finalidade de discutir os assuntos do estado. De forma muito inteligente os escritores no novo testamento fizeram uso de tal recurso literário para se referir ao ajuntamento daqueles que foram chamados para fora de uma ordem estabelecida, para fazer parte de um grupo seleto, com uma missão especial e específica. A Igreja idealizada por Jesus Cristo, não ficaria à margem da sociedade, ao mesmo tempo em que não se misturaria com seus costumes e ideologias, ao invés disso, segundo as palavras do mestre dos mestres, sendo luz do mundo e sal da terra, a igreja projetada no coração de Deus seria formadora de caráter, um organismo vivo, agente modificador de sistemas, que influenciaria de forma positiva, e sempre construtiva, a cultura espiritual e ainda  secular de todo e qualquer ser humano a quem alcançasse. Contudo, o modo de operação da Igreja, definido por seu próprio fundador, resume-se no seguinte: Ide por todo mundo e pregai o evangelho a toda criatura (Mc 16:15). Os dois verbos contidos nessa frase definem de forma clara o que Jesus objetivava através da igreja, o “Ide” apresenta a ordem para avançar sempre em direção as pessoas, e o “pregai” vai mais além do que o ministrar de conteúdo teológico com discursos regidos pela hermenêutica ou homilética. Para Jesus, Ir representava o poder da iniciativa, e o pregar seria então, nada mais nada menos, que o relacionamento pessoal que esclarecesse no coração e na mente das pessoas, a profundidade das verdades acerca de um Deus todo poderoso, cuja essência é o amor. Amor este que resgata, constrói, transforma, dignifica, e melhora a condição humana. São Francisco de Assis pronunciou uma célebre frase que se resume no seguinte: “Pregue em todo tempo. Se necessário use as palavras”. Este pensamento deixa totalmente esclarecido o verdadeiro conceito da real pregação, missão da igreja. O testemunho, a prática dos valores divinos revelados nas linhas do texto bíblico, o exercício da fé que gera obras, o amor incondicional, a compaixão, a entrega de si mesmo em favor de outros, essa é a pregação sob a qual a Igreja precisa “ir”. Mas como está a Igreja se comportando nos dias de hoje, como a atualidade tem influenciado nossa conduta no cumprimento desse papel? Para responder a isso, é importante que se avalie como as coisas funcionam em nossos dias. O excesso de tecnologia e o aumento exacerbado de informações, a que somos submetidos dia a dia, tem nos tornado, a todos nós, cada vez mais fracos no que tange a relacionamentos. Por conta das máquinas e dos infinitos softwares com que vivemos e nos movemos, somos condicionados a esperar e praticar resultados imediatos, conseqüência de simples toques em teclas de um computador qualquer. Por conta disso, investir tempo em relacionamentos se torna extremamente inconveniente porque significa gastar tempo, tempo este de que não dispomos por causa da velocidade das máquinas, máquinas estas que regem nossas contas, nosso trabalho, horários, etc etc. A funcionalidade está em que nossos relacionamentos sejam virtuais, sem a medida da real emoção, sem olhos nos olhos, sem abraços ou aperto de mãos, que seja apenas toques em teclas de computador.  E é interessante que, justamente este mundo distanciado de si mesmo, é o que mais precisa da presença influente e relacional da igreja de Cristo. Estamos cercados de pessoas agitadas e hiper aceleradas que estão paulatinamente deixando de ser pensadores para ser apenas um depósito de dados e mais dados, que vão se acumulando e sufocando a alma e a psique humana. Nunca antes o ide e pregai foi tão necessário ser praticado, porque as pessoas já não tem tempo para pensar, sentir, admirar, se relacionar, amar, perdoar, compreender e assim por diante. Não nos medimos mais pelo toque da alma, nos medimos quase que todo o tempo por bytes, mega, giga e terabytes. A Igreja de Jesus ainda é mantida aqui na terra para, não somente conduzir o homem ao conhecimento de Deus e de seu plano salvador, mas também para devolver o ser humano a sua própria humanidade. Não somos máquinas, somos homens, cheios de vida, poesia e da beleza da semelhança divina, e se não fosse a presença da igreja cheia do Espirito Santo, já há muito teríamos nos destruído por completo. Se cumprirmos bem nosso papel com bons despenseiros da graça de Deus, não somente seremos instrumentos para conduzir o homem à salvação eterna oferecida por Jesus Cristo na cruz do calvário, bem como seremos fatores de influencia positiva para melhores políticos, melhores líderes, melhores profissionais e pais de família, enfim melhores humanos.